Dicas de Viagem de Silvia Grumbach

VIAJAR É ANTES DE TUDO UM ESTADO DE ESPÍRITO. GOSTAMOS DE NOS SENTIR LIVRES PARA ESCOLHER NOSSOS DESTINOS, FAZER NOSSOS PRÓPRIOS ROTEIROS, GASTAR MAIS OU MENOS TEMPO DE ACORDO COM NOSSA VONTADE E NOSSO SENTIMENTO EM CADA LUGAR VISITADO. AFINAL ESTAMOS SEMPRE DIANTE DE UMA INFINIDADE DE POSSIBILIDADES. SUGIRO QUE COMECE LENDO "O PORQUE DOS ROTEIROS ???" Clique sobre as ilustrações para vê-las ampliadas e, por favor, se as copiar, não deixe de citar a fonte. AO INTRODUZIR OS RESULTADOS DE MINHA PESQUISA DE NOSSA GENEALOGIA, PROSSEGUI NUMA VIAGEM, ESTA DE VOLTA AO PASSADO, REVISITANDO HISTÓRIAS DE VIDA E SEUS PERSONAGENS, NOSSOS ANTEPASSADOS … VIVOS EM NOSSAS LEMBRANÇAS

DESCENDÊNCIA DO MARQUES DE OLINDA

“A fome só se satisfaz com a comida 

 e a fome de imortalidade da alma

com a própria imortalidade.

Ambas são verdadeiros instintos.”

Fernando Pessoa

Domingos de Lima, morador da Quinta da Valada, em São Salvador de Bertiandos, Vila de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal

& Maria Casado de Brito

  • Damião Casado de Lima

Martinho Teixeira Cabral

& Petronilha de Britto

  • Anna Maria da Conceição

Damião Casado de Lima, nascido na Freguesia de Bertiandos, Vila de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal, viveu na Quinta da Valada e veio para o Brasil com seu irmão Francisco. Foi proprietário dos Engenhos Boa Vista e Cucau, em Serinhaem, Pernambuco.

& Anna Maria da Conceição

  • Antônio Casado de Lima

Manoel de Araújo Bezerra

& Anna de Nazareth Cavalcanti

  • Margarida Bezerra Cavalcanti

Antônio Casado de Lima, Sargento-Mor do Forte de Pau de Gamela

& Margarida Bezerra Cavalcanti

  • Manoel de Araújo Lima
  • Maria Casado Bezerra Cavalcanti

Pedro Teixeira Lima Cavalcanti

& Luiza dos Prazeres Cavalcanti de Albuquerque

  • Anna Teixeira Cavalcanti

Manoel de Araújo Lima, nascido em 14/06/1751, Capitão Comandante do Distrito de Serinhaem, em 06/12/1782 comprou o Engenho Antas, então jurisdição de Serinhaem, mais tarde da Gameleira.

& Anna Teixeira Cavalcanti, nascida em 17/08/1763, casaram-se em 29/11/1780 e tiveram 8 filhos:

  • Maria dos Anjos da Porciúncula Cavalcanti, nascida em 02/08/1782
  • Pedro, nascido em 09/09/1784, morreu ainda criança
  • Rita Florência de Lima, nascida em 23/11/1785
  • menina, nascida em 06/02/1789, morreu sem batismo
  • Francisco, nascido em 09/01/1791, morreu ainda criança
  • Margarida, nascida em 22/08/1792, morreu ainda criança
  • Pedro de Araújo Lima, nascido em 22/12/1793
  • menina, nascida em 09/10/1795, morreu sem batismo

Pedro de Araújo Lima, nascido em 22/12/1793, no Engenho de Antas, Município de Serinhaem, Pernambuco, conhecido como Engenho de Dona Ana das Antas, casou-se em 05/06/1828.

& Luiza Bernarda de Figueiredo (30/05/1808 – 13/11/1873), no Rio de Janeiro, filha única do Desembargador, Conselheiro e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Jose Bernardo de Figueiredo e de Luiza Alexandrina Preciosa da Mota.

  • Luiza Bambina de Araújo Lima, nascida em 01/04/1829 e falecida em 07/07/1896, aos 67 anos, no Rio de Janeiro.
  • Pedro de Araújo Lima, nascido em 17/12/1838 e falecido em 25/04/1852, aos 13 anos. Foram seus padrinhos de batismo o Imperador D. Pedro II e D. Januária, no Paço.
  • Jose Bernardo Filho, cunhado criado pelo casal.

Pedro de Araújo Lima matriculou-se em Coimbra, Faculdade de Direito, em 29/10/1813, formando-se em 29/05/1818 e doutorando-se em Cânones em 01/08/1819.

Grande vulto político do 1º e 2º Impérios.

Deputado por Pernambuco as Cortes Portuguesas em 1821-1822 e na Assembleia Constituinte de 1823.

Ministro de Estado na pasta do Império do 3º Gabinete de 1823.

Representante de sua província nas 1ª, 2ª e 3ª legislaturas da Assembleia Geral de 1826 a 1837.

Ministro de Estado na pasta do Império do 7º Gabinete de 1827.

Ministro de Estado da Justiça e interinamente dos Estrangeiros no 2º Gabinete de 1837.

Senador pela Província de Pernambuco em 1837.

Regente do Império de 18/09/1837 a 22/07/1840.

Conselheiro de Estado em 1842.

Presidente do Conselho dos Ministros varias vezes.

Ministro em quase todas as pastas até 1865.

Diretor da Academia de Direito de Olinda.

Visconde com honras de grandeza de Olinda, por Decreto de 18/07/1841.

Marques de Olinda, por Decreto de 02/12/1854.

Grande do Império.

Oficial da Imperial Ordem da Rosa.

Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro.

Grã-Cruz da Imperial Ordem de Cristo,

da de Santo Estevão, da Hungria,

da Legião de Honra, da França,

da de Nossa Senhora de Guadalupe, do México,

da de São Maurício e São Lazaro, de Sardenha,

da de Medjidie, da Turquia e

Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.

Brasão de Armas registrado no Cartório da Nobreza, Livro VI, folhas 2.

Falecido em 07/06/1870, aos 76 anos, na Rua do Lavradio, 53-B, no Rio de Janeiro.

Ela, Luiza Bernarda de Figueiredo, falecida em 13/11/1873, aos 65 anos, na Rua São Cristóvão, 105, no Rio de Janeiro.

Curiosidade: O véu de rendas usado por D. Luiza Bernarda de Figueiredo em seu casamento voltou a ser usado por sua filha, Luisa Bambina, ao se casar com o Visconde de Pirassununga. Em seguida, por Maria Bebiana de Araújo Lima, filha dos Viscondes, ao se casar com o Barão do Rio Preto; depois por Julieta de Araújo Lima Guimarães, filha dos Barões, quando se tornou esposa de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, assim como suas filhas e netas, dentre elas, Julieta de Andrada Tostes no seu casamento com Guido de Almeida Magalhães, em 30/03/1969, na Igreja de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro. O Marques de Olinda fez vir as rendas de Bruxelas, como presente para Luiza.

Em 04/05/2001, a Coluna da Hidelgard Angel noticiava que a Princesa Maria Pia usaria em seu casamento este véu, restaurado na França, com o brasão de armas dos Marqueses de Olinda, para cuja filha foi confeccionado na Bélgica. Nessa ocasião, tentei obter uma fotografia do referido véu, mas, lamentavelmente, meus e-mail’s não tiveram retorno.

Curiosidade: nomes dados por Jose Bernardo de Figueiredo às ruas por ele abertas em 1852, em Botafogo:

Travessa Figueiredo (filho), passou a Marechal Niemeyer

Rua Viscondessa (filha), passou a Rua Assunção

Rua de Olinda (genro), passou a Rua Marques de Olinda

Rua Bambina (neta)

Henrique Jose de Araújo

& Maria Bibiana (Bebiana) de Araújo

  • Henrique José de Araújo Junior

                  1. Henrique Jose de Araújo Neto

                  2. Antônio Henrique de Araújo

                  3. Jose Caetano de Araújo

                  4. Maria Henriqueta de Araújo

  • José Henrique de Araújo

                 1. Luisa de Araújo Souto

                 2. Maria Bebiana de Araújo Neves, Baronesa do Rio Preto, uma das amigas mais íntimas da Princesa Isabel, falecida em 22/10/1840, aos 93 anos.

                     2.1. Julieta Guimarães Ribeiro de Andrada, filha dos Barões do Rio Preto e neta dos Marqueses de Olinda e dos Viscondes de Pirassununga, casada com Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, Presidente do Estado de Minas Gerais, compromisso prestado em 09/10/1926, conforme fotos do fato às folhas 34 da Revista Careta, da Assembleia Nacional Constituinte e da Câmara dos Deputados. O nome da Avenida Presidente Antonio Carlos é uma homenagem a ele. Falecida em 04/01/1938, no Sanatório de Belo Horizonte, tendo sido enterrada no Cemitério São João Batista.

                             2.1.1. Jose Bonifácio Olinda de Andrade, Secretario de Educação de Minas Gerais e Professor da Universidade do Brasil

                             2.1.2. Fabio Bonifácio Olinda de Andrada, Deputado Estadual

                             2.1.3. Antonieta Andrada Batista de Oliveira, casada com Francisco Batista de Oliveira, Diretor do Banco de Credito Rural de Minas Gerais

                             2.1.4. Ilka Andrada Tostes, casada com Lahyr Paletta de Rezende Tostes, que se casou com Guido de Almeida Magalhães

                            2.1.5. Luiza Maria Guimarães Andrada

>>> Aqui será inserido um cartão, datado de 12/01/1939, de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, dirigido ao casal Irene Santos Souto e Henrique Grumbach, agradecendo o convite para o casamento de seu filho Joseph Grumbach com Marianna Moreira Ponce, antecipando felicitações e justificando sua ausência ao ato em virtude de sua partida para Minas Gerais.

                     2.2. Domingos Custodio Guimarães, Chefe de Policia do Estado do Rio

                     2.3. Arthur de Araújo Guimarães

                     2.4. Pedro de Araújo Lima Guimarães

                     2.5. Carlos Alberto Lima Guimarães

                     2.6. Maria de Lourdes dos Santos Ferraz, casada com Bernardo Jose dos Santos Ferraz

                3. João Miranda de Araújo, casado com Maria do Carmo Margarinos, filha do Embaixador Margarinos

                4. Antonio de Araújo Braga

                5. Joaquim Henrique de Araújo, 1º Barão de Pirassununga, por Decreto de 06/12/1850. Este título não existiu, conforme retificação ao ANB no ‘Titulares do Império’ por Carlos G. Rheingantz, RJ 1960, paginas 112 a 121. Casado com Maria Bebiana de Araújo.    

                     5.1. Joaquim Henrique de Araújo Filho, nascido em 13/06/1821 e falecido em 14/10/1883, aos 62 anos. 2º Barão, por Decreto de 06/12/1858 e Visconde de Pirassununga com grandeza, por Decreto de 11/10/1876.

                            Oficial da Imperial Ordem da Rosa

                            Comendador da Imperial Ordem de Cristo

                            da Ordem de São Silvestre

                            & Luiza Bambina de Araújo Lima (01/04/1829, no Rio de Janeiro - 07/07/1896), filha única dos Marqueses de Olinda. Casaram-se em 02/12/1843, na Igreja São Jose, no Centro do Rio de Janeiro. Por seu casamento na família Araújo tornou-se em 1876 a Viscondessa com honras de grandeza de Pirassununga e matriarca da família Olinda. Em sua homenagem a Rua Bambina.

                           5.1.1. Joaquim Henrique de Araújo Olinda, nascido em 26/09/1844, no Rio de Janeiro e falecido em 22/03/1910, aos 65 anos, em Paris, na França. Casou-se em 10/11/1887, no Rio de Janeiro, com Luiza Clemente Faro, filha de Antônio Pereira de Faro e Francisca Clemente Pinto, nascida em 29/02/1860, no Rio de Janeiro, e falecida em 24/06/1927.Tiveram cinco filhos:

                                      5.1.1.1. Laura de Araújo, nascida em 20/10/1878, no Rio de Janeiro, e falecida em 08/02/1896, solteira, sem descendência.

                                      5.1.1.2. Luiza de Araújo, nascida em 03/10/1879, no Rio de Janeiro, falecida em 22/05/1929, casada em 1900, em Paris, na França, com Charles Josephi Koennig.

                                      5.1.1.3. Joaquim de Araújo Olinda, nascido em 26/12/1880, no Rio de Janeiro, falecido em 13/04/1920, solteiro, sem descendência.

                                      5.1.1.4. Eurico de Araújo Olinda, nascido em 1882, no Rio de Janeiro, falecido em 25/02/1928, solteiro, sem descendência. 

                                      5.1.1.5. Georgina de Araújo Olinda, nascida em 27/11/1883, no Rio de Janeiro,  falecida em 1960, casou-se com Raul Luiz Francisco Régis de Oliveira - filho de Francisco Régis de Oliveira e Amélia da Silva Guimarães - nascido em 10/10/1874, em Paris, na França, diplomata, falecido em 10/07/1942.

                           5.1.2. Luiza Lima Araújo, nascida em 26/10/1845, no Rio de Janeiro, falecida aos 48 anos, em 29/08/1894, neta dos Marqueses de Olinda e filha dos Viscondes de Pirassununga. Casou-se em 22/12/1862, no Rio de Janeiro, com Jose Antônio Alves Souto, filho de Antônio Jose Alves Souto e Maria Jacintha de Freitas, Viscondes de Souto.

                                     5.1.2.1. Jose Antônio de Alves Souto Filho, nascido no Rio de Janeiro, casou-se em 19/01/1884, no Rio de Janeiro, com Alice Ferreira dos Santos, filha de João Ferreira dos Santos e Maria Fausta de Queiroz.

                                    5.1.2.2. Luiza de Araújo Souto, nascida em 1864, no Rio de Janeiro, falecida em 30/01/1918, casou-se em 10/02/1883, no Rio de Janeiro, com Constâncio Pereira Lima, filho de Gabriel Jose Pereira Lima e Maria Jose Pereira Lima.

                                    5.1.2.3. Judith Alves Souto, nascida em 16/10/1865, no Rio de Janeiro, casada em 26/10/1895, no Rio de Janeiro, com Manoel Gouveia Jardim, filho de Manoel Gouveia Jardim e Leocádia Eugenia.

                                   5.1.2.4. Maria Amélia de Araújo Souto, nascida em 27/12/1866, no Rio de Janeiro, falecida em 01/06/1881, solteira, sem descendência.

                                   5.1.2.5. Luiz Gonzaga Alves Souto, nascido em 12/07/1868, no Rio de Janeiro, faleceu solteiro, sem descendência.

                                   5.1.2.6. Henrique Jose Alves Souto, nascido em 1876, no Rio de Janeiro, casado em 18/04/1903, no Rio de Janeiro, com Lidia Pulquerio da Silva, filha de Luiz Pulquerio da Silva e Francisca Maria Dantas.

                                   5.1.2.7. Alberto Jose Alves Souto, nascido no Rio de Janeiro.

                                   5.1.2.8. Eduardo Jose Alves Souto, nascido em 1880, no Rio de Janeiro, casado em 12/07/1902, no Rio de Janeiro, com Georgina Maria da Silva, filha de Pedro Jose da Silva e Angelina Maria da Silva.

                           5.1.3. Maria Bibiana de Araújo, nascida em 18/01/1847, no Rio de Janeiro, falecida em 23/10/1940, aos 93 anos. Casou-se em 02/05/1868, no Rio de Janeiro, com Domingos Custodio Guimarães, filho dos Viscondes do Rio Preto (Domingos Custodio Guimarães e Maria das Dores de Caravalho). Tiveram 6 filhos. De um 2º casamento, em 10/10/1881, com Mario Lellis e Silva, filho de Camilo Lellis da Silva e Raquel Aurora de Andrada, teve uma filha, Maria de Lourdes Araújo Lellis e Silva.

                                     5.1.3.1. Domingos Custodio Guimarães, nascido em 1870, falecido em 04/06/1918, casado com Maria Augusta Vieira, filha de Manoel Vieira Machado e Maria Peregrina Pinheiro.

                                     5.1.3.2. Artur de Araújo Guimarães, nascido em 1871, casado com Ana Margarida Marques da Cruz, filha de João Rodrigues Pereira da Cruz e Maria Balbina Marques Leão.

                                     5.1.3.3. Pedro de Araújo Guimarães, nascido em 1872 e falecido solteiro, sem descendência.

                                     5.1.3.4. Carlos Alberto de Araújo Guimarães, nascido em 17/05/1873, no Rio de Janeiro, falecido em 14/11/1941, casado em 23/04/1900, em Petrópolis, com Maria Madalena de Macedo, filha de Justino José de Macedo e Engracia Luiza da Mota.

                                     5.1.3.5. Marieta de Araújo Guimarães, casada em 30/10/1899, em Petrópolis,  com Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva,  nascido em 05/09/1870, advogado e senador, filho de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva (pai) e Adelaide Feliciana Duarte.

                                    5.1.3.6. Julieta de Araújo Guimarães, nascida em 04/04/1876, no Rio de Janeiro, falecida em 04/01/1938.

                                    5.1.3.7. Maria de Lourdes Araújo Lellis e Silva, nascida em 1884, no Rio de Janeiro, falecida em 13/10/1908. Casou-se em 20/06/1907, em Petrópolis, com Bernardo Jose dos Santos Ferraz, filho de Bernardo Jose dos Santos Ferraz e Umbelina Marques.

                           5.1.4. Pedro de Araújo Lima (neto), nascido em 09/03/1850, no Rio de Janeiro, falecido em 25/10/1863, aos 13 anos.

                           5.1.5. Guilhermina de Araújo, nascida em 1860, no Rio de Janeiro, falecida em 04/05/1862, aos 2 anos, em 1862.

                           O Visconde de Pirassununga faleceu em 14/10/1883, ao meio-dia, tendo sido sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula.

                           A Viscondessa de Pirassununga faleceu em 07/07/1896.

>>> Aqui será inserida a Avaliação dos objetos que deram de dote a sua filha Luiza de Lima Araújo os Barão de Piracinunga e Baronesa de Piracinunga, datada de 01/01/1863, devidamente assinada por eles:

a casa no Campo de Santana, 32, um sobrado com 4 janelas

a casa na Rua Nova do Conde, 304, com um portão e duas janelas

um terreno na Rua do Andaraí com 23 braças e 3 palmas e meio de testada, com 60 braças de fundo

joias

>>> Aqui será inserida relação dos nomes dos escravos que dera a sua filha Luiza de Lima Araújo os Barão de Piracinunga e Baronesa de Piracinunga, datada de 01/01/1863, devidamente assinada por eles: Amélia, Anastácio, Cezaria, Florinda, Germana, Joanna e Leopoldino.

                           5.2. Luiza de Araújo Souto

                           5.3. Maria Bibiana de Araújo Guimarães, Baronesa do Rio Preto, em razão de seu casamento com Domingos Custodio Guimarães (13/02/1876), filho de Domingos Custodio Guimarães e Maria das Dores de Carvalho, Visconde e Viscondessa do Rio Preto. Tiveram um filho de nome Carlos Alberto de Araújo Guimarães (17/05/1873 – 14/11/1941).

                6. Maria José de Araújo (Mariquinhas), casada com Jose Pedro da Motta Sayão, Barão com grandeza do Pilar, Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, Comendador da Imperial Ordem de Cristo, Grande Dignatário da Imperial Ordem da Rosa e Comendador da Real Ordem de Cristo de Portugal, Grande do Império. Ela falecida em 17/06/1917, aos 91 anos, sepultada no Cemitério da Ordem 3ª de São Francisco de Paula, no carneiro onde jazem os restos de seu marido.

>>> Aqui será inserido um cartão: “A Prima Nininha felicita pelo seu aniversário natalício, desejando que a Senhora que esse cartão representa a protejam e de todas as felicidades. Abraço com affecto a tia e Prima Baronesa do Pilar. Mariquinhas. Em 11/12/1906.” (Nininha, apelido carinhoso de Irene Santos Souto)

                     6.1. José Pedro de Araújo Motta

                     6.2. Maria Justina de Araújo Motta

                    6.3. Maria Joana de Araújo Motta, Condessa de Monthial, casada com o Conde de Monthial

Bisnetos do Marques de Olinda:

  1. Alberto de Araújo Souto, casado com Perpetua
  2. Arthur de Araújo Guimarães, casado com Anna Marques Leão Cruz
  3. Carlos Alberto de Araújo Guimarães (17/05/1873 – 14/11/1941), casado com Maria Magdalena Macedo (deu início a um ensaio biográfico do Marques, ‘A Regência Trina’)
  4. Domingos Custódio Guimarães, casado com Maria Augusta Vieira, filha do Barão de Alliança
  5. Eduardo de Araújo Souto, casado com Georgina de Figueiredo
  6. Eurico Faro de Araújo Olinda, filho de Joaquim Henrique de Araújo Olinda e Luiza Clemente Faro, nascido em 1882 e falecido em 25/02/1928, solteiro. Luiza Clemente Faro, nascida em 29/02/1860 e falecida em 24/06/1927, filha de Antônio Pereira de Faro e Francisca Clemente Pinto.
  7. Henrique Jose Alves Souto
  8. Joaquim Henrique de Araújo Olinda, casado com Laura Faro de Araújo
  9. Jose Antônio Alves Souto, casado com Alice Santos
  10. Judithe de Araújo Jardim, casada com Manoel de Gouvêa Jardim, sepultada em 18/05/1921, sepultura 81580 quadra 47 cova rasa.
  11. Julietta Guimarães Ribeiro de Andrada, casada com o filho de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada
  12. Laura Faro de Araújo
  13. Luiza Faro de Araújo, casada com um médico na Europa, Dr. Charles Koening
  14. Luiza de Araújo Lima, casada com Constâncio Pereira Lima
  15. Luiz Gonzaga Alves Souto
  16. Maria de Araújo Guimarães
  17. Maria de Lourdes Ferraz, casada com o filho de Bernardo J Santos Ferraz
  18. Maria Georgina de Araújo Regis, casada com o Embaixador do Brasil em Londres, Raul Regis de Oliveira, tiveram uma única filha Sylvia Regis de Oliveira, que se casou com Jean-Louis de Faucigny-Lucinge, Princesa de Faucigny-Lucinge, pais de Georgina Brandolini, casada numa família nobre de Veneza.
  19. Pedro de Araújo Lima Guimarães, solteiro

curiosidade: Há um retrato de Sylvia Regis de Oliveira no livro de memórias de Carolina Nabuco, jogando tênis no Petrópolis Tênis Clube, hoje Petropolitano, nos anos 30. Jorge Luis Borges cita-a como Princesa de Lucinge no conto ‘Tlon, Uqbar, Orbis Tertius’.

Tataranetos do Marques de Olinda:

  1. Antonieta Andrada Baptista de Oliveira, casada com Francisco de Salles Baptista de Oliveira
  2. Arino dos Santos Souto
  3. Alberto Carlos de Araújo Guimarães
  4. Constâncio Pereira Lima Junior
  5. Domingos Custodio Guimarães
  6. Fabio Bonifácio Olinda de Andrada
  7. Ilka Andrada Tostes, casada com Lahyr Paletta de Rezende Tostes, tiveram pelo menos uma filha Julieta de Andrada Tostes, que se casou com Guido de Almeida Magalhães
  8. Irene dos Santos Souto, casada com Henrique Eduardo Grumbach
  9. Jayme de Araújo Guimarães
  10. Jose Bonifácio Olinda de Andrada
  11. Luiza Maria Guimarães Andrada

>>> Aqui serão inseridas duas relações manuscritas (sem que se saiba por quem) dos filhos, netos, bisnetos e tataranetos de Henrique Jose de Araújo e de Maria Bibiana de Araújo, uma em papel comum, outra em papel de carta do Hotel Gloria.

curiosidade: A Rua dos Araujos foi aberta em 1852, em terras pertencentes a Maria Bebiana de Araújo, mãe de Joaquim Henrique de Araújo, Visconde de Pirassununga. Esta família foi famosa na Tijuca do século XIX. Suas terras eram extensas. Consta do Boletim da Câmara Municipal de 1863 as ruas abertas pelos herdeiros de Henrique Jose de Araújo: Rua Santo Henrique, Rua Dona Bebiana, Rua Barão de Pirassununga e Rua dos Araújos. Referência: Tijuca de rua em rua, Da Praça da Bandeira ao Alto da Boa Vista, Lili Rose Cruz Oliveira e Nelson Águia, Coleção Rio, Universidade Estácio de Sá, Editora Rio.

Manuel Antônio Alves Souto (português)

& Maria Antonia da Conceição de Jesus (portuguesa)

No começo da década de 1840, o filho, Antônio Jose Alves Souto, o Visconde de Souto, mandou buscar em Portugal a mãe, Dona Maria Antonia da Conceição de Jesus e os irmãos Rodrigo Jose, Maria Cândida e Ana Maria, que se casaram no Brasil com pessoas de excelentes famílias.

Rodrigo Jose se casou com Victorine Sigaud Souto, filha do célebre médico francês Dr. Joseph-François-Xavier Sigaud, médico de D. Pedro II.

Antônio Jose Alves Souto nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 28/03/1813, na Rua Nova de São João.

Os registros abaixo são um misto de informações de um artigo de Francisco Souto Neto, http://www.museu-emigrantes.org/docs/titulados/Visconde%20de%20Souto.pdf                     sobre quem falarei mais a frente e de algumas outras, encontradas em leituras diversas, uma aqui outra ali.

Aos 16 anos emigrou para a capital imperial do Brasil, onde chegou em 27/01/1830, começando a trabalhar como caixeiro na Casa Ferreira & Cohn, até instalar-se como corretor de fundos e mercadorias.

Em 30/08/1834 casou-se com Maria Jacintha de Freitas Caldas.

Na década seguinte (1840) tornou-se o primeiro banqueiro de que se tem notícia no Brasil. Sua casa bancária, A. J. A. Souto & Cia., ficava na Rua Direita, 59, e era conhecida como Casa Souto.

Eduardo Bueno*, em seu livro Caixa: Uma História Brasileira, faz a seguinte menção à Rua Direita: “Um dos mais antigos e tradicionais endereços do Rio, a Rua Direita concentrava em 1861 praticamente todos os bancos e casas de finanças da Corte”. * Eduardo Bueno, Caixa: Uma História Brasileira, Buenas Idéias Metalivros, Novembro de 2002

O Presidente do Banco do Brasil, à época, 1965, assim falou sobre a Rua Direita no livro A Velha Rua Direita: “À Rua Primeiro de Março, antiga Rua Direita, ligam-se os fatos mais importantes da crônica da cidade, pois aí nasceu e se desenvolveu a sua vida comercial. Foi o centro para o qual, por muitos anos, convergiu a riqueza de extensa região. Nela abrigaram-se lojas e escritórios, armazéns e depósitos, agências de navios, atacadistas e retalhistas, exportadores, corretores e banqueiros; nela funcionou o Erário, apregoaram-se valores mobiliários, concentraram-se as atividades que viriam fazer de nosso porto um dos mais importantes e movimentados do Continente.” 

Fernando Monteiro, em seu livro A Velha Rua Direita, oferece as seguintes informações sobre referida rua:

> “Defronte da Igreja do Carmo, junto ao sítio da antiga ermida de Nossa Senhora do Ó, teve início, em direção ao morro de São Bento, a Rua Direita …”

> “E a Rua Direita era mais propriamente uma praia: o mar vinha quebrar-se em ponto correspondente ao seu eixo atual.”

> “Ao longo da Rua Direita, situava-se parte da praia da cidade, com casas apenas no atual lado esquerdo ou ímpar, sendo proibidas construções do lado do mar, pois a faixa de marinha, a piaçaba, devia ficar livre, não só para embarque e desembarque e, como para melhor defesa.”

> “Com as formações aluvionais, o mar foi recuando e, em 1646, já havendo entre ele e a Rua Direita boa área aproveitável, obteve o Governador Duarte Correia Vasqueanes (da estirpe dominante dos Correia de Sá, tio de Martim de Sá), que a Câmara, usando autorização régia, pusesse à venda aquela área, constituída de terrenos de marinha.”

Amigo do Imperador D. Pedro II, comprou uma grande propriedade, que confinava com a Quinta Imperial da Boa Vista, onde construiu uma ampla residência, cercando-a de um dos mais belos jardins do Rio de Janeiro. Numa das extremidades da propriedade, conhecida como ‘Chácara do Souto’, criou um zoológico, o primeiro da capital imperial, com espécimes da fauna brasileira e animais importados da Europa, Ásia e África, que franqueava a visitação pública aos domingos e feriados.

 No ano de 1850, o então Visconde de Souto comprou do espolio do Conde de Gestas (Aymar Marie Jacques Gestas, morto em 1835) a Fazenda Bela Vista (às vezes mencionada como Boa Vista), fazenda esta que pertencera a uma Sesmaria dos Viscondes de Asseca e que fora adquirida em 1810 por Gestas.

Quando o Visconde de Souto adquiriu a propriedade havia ali um palacete de colunas toscanas, a direita do qual, no ano de 1860, mandou erguer uma capela em louvor à Nossa Senhora de Belém, como indica a estrela branca de cinco pontas no alto da fachada.

Em 1864, a Fazenda foi vendida ao Sr. Jose Francisco de Mesquita, Barão, Visconde, Conde, Marques de Bonfim, que ao falecer em 1873 deixou a propriedade ao filho Jerônimo José de Mesquita, o Barão de Mesquita, tendo como padroeira Nossa Senhora do Carmo. Ao falecer em 1886, sua filha Francisca Elisa de Mesquita herdou a propriedade, que vendeu em 1888 ao Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, passando a ser conhecida pelo nome de Capela Mayrink, tendo Nossa Senhora da Imaculada Conceição por padroeira. Este mais tarde transferiu a propriedade ao Governo Federal. Réplicas dos painéis pintados por Candido Portinari em 1944 e doados à Capela em 1945, encomendados para a Capela, reproduzem Nossa Senhora do Carmo, São Simão Stock, São João da Cruz e o Purgatório, estando os originais no Museu Nacional de Belas Artes. Estas obras haviam sido roubadas em agosto de 1993, numa madrugada em que houve pane geral de luz no parque, e foram recuperadas no ano seguinte, em abril de 1944,  pela Polícia Federal e, por questões de segurança, não mais voltaram à Capela, indo para o MNBA, onde ficaram em comodato, incluídas no acervo oficial do museu em 2013, conforme informação publicada na Revista Veja Rio, em 1º/05/2013. Estas obras, que estão atualmente na Reserva Técnica do MNBA e compuseram a Exposição ‘Portinari e os painéis da Capela Mayrink’, realizada no próprio Museu Nacional de Belas Artes, no período de 20/04 a 09/06/2013. As estátuas externas representam a Fé e a Caridade e vieram da Igreja do Bom Jesus, demolida por ocasião das obras de abertura da Avenida Presidente Vargas. A capela passou por uma grande reforma entre 1969 e 1987, tendo sido demolida a sacristia e retiradas todas as interferências arquitetônicas inseridas, voltando ao seu desenho original. Num trabalho de resgate de sua memória, uma nova imagem de Nossa Senhora de Belém foi acrescida ao acervo da capela, figurando as três padroeiras, permanecendo Nossa Senhora do Carmo como sua padroeira oficial. Essa imagem de Nossa Senhora de Belém é uma das obras mais importantes do escultor Baldinir Bezerra, feita a partir da imagem de uma pintura. Belém de Portugal. Belém de onde saíam as embarcações para as grandes descobertas. Santa padroeira dos navegantes. Em maio de 2006 iniciaram-se novas obras de reforma. Nessa ocasião estive, acompanhada de meu filho, na administração do Parque Nacional da Tijuca, conversando e passando informações sobre o Visconde de Souto, seu construtor.

Todo primeiro domingo do mês é celebrada uma missa às 12 horas na Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca, rezada pelo Padre Marcelo de Assis Paiva, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, Estrada de Furnas, 220 – Alto da Boa Vista.

O Visconde de Souto foi Presidente da Real Beneficência Portuguesa. http://nossosroteiros.com.br/blog/visconde-souto-na-beneficencia-portuguesa/

Foi também um dos fundadores da Junta de Corretores, hoje Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Fez parte da primeira diretoria da Caixa Econômica Federal.

Era Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa por Portugal e dignatário da Ordem da Rosa pelo Brasil.

O título de Visconde Souto foi criado pelo Rei D. Luis I, em decreto de 12/12/1862.

Em meio a retração econômica, o Governo imperial promulgou a Lei nº  1083, de 22/08/1860, que continha em seus oito artigos Providências sobre os bancos de emissão, meio circulante e diversas companhias e sociedades.  A ‘Lei dos Entraves’, como ficou conhecida, abalou o sistema bancário carioca. Houve uma forte retração da liquidez, seguida da alta das taxas de juros e da falência de casas bancárias. O Banco do Brasil tentou intervir na crise e concedeu empréstimos a Casa Souto, que acumulou uma dívida de 22 mil contos de reis, o que correspondia a metade do capital do Banco do Brasil. A impossibilidade do Banco do Brasil de continuar a rolagem das dívidas da Casa Souto, levou-a à falência e espalhou um verdadeiro pânico nos comerciantes da Corte, ameaçando o Banco do Brasil de graves prejuízos, como principal credor da mencionada casa, como também pelo ataque sobre seu fundo disponível.

Em 1863, surgiram os primeiros indícios de crise no Brasil, em conjugação com os efeitos depressivos da guerra civil norte-americana e de fracas colheitas de café.

Em 17/09/1864, o Decreto 3.308, editado pelo Governo Imperial visou regular, de forma extraordinária, os efeitos da crise atravessada pela praça do Rio de Janeiro naquela oportunidade.

Foi, em decorrência da adversidade da conjuntura financeira do momento, que resultaram as mudanças traçadas pelo legislador quanto à falência de bancos.

O referido decreto produziu efeitos desastrosos no mercado, redundando na falência da Casa Bancária de J. A. Souto & Cia. e de outras entidades financeiras.

No dia 10/09/1864 a casa bancária do Visconde Souto, a mais importante do pais, faliu e esse triste episódio recebeu o nome de ‘Quebra do Souto’, item de estudos até hoje.

Consta do diário de seu filho, Jose Antônio Alves Souto a seguinte anotação: “Em 10 de setembro de 1864, por motivos que não são desconhecidos, meu Pai foi obrigado a suspender pagamentos da sua casa bancária, à Rua Direita, 59, entrando ela em liquidação, dirigida pelos seus credores.” 

Em consequência, faliram cerca de cem outras empresas, dentre elas diversas das mais conceituadas casas bancárias do Império.

O Visconde de Souto e os demais banqueiros falidos foram vítimas da crise e não os seus causadores.

A ‘Quebra do Souto’ foi muito traumática, porque a casa bancária do Visconde tinha 10.000 credores e seu passivo equivalia a metade da dívida interna do Brasil. Esse fenômeno mudou os rumos da História da Economia do país.

Uma Comissão de Inquérito, mandada instalar pelo Imperador D. Pedro II, sobre as causas principais e acidentais da crise do mês de setembro de 1864 na praça do Rio de Janeiro, inocentou o Visconde Souto em 1866, dois anos após a ‘catástrofe’.

O Almanak Laemmert de 1864, às páginas 614, relaciona as nove casas bancárias e seus respectivos endereços, existentes naquele ano no Rio de Janeiro:

Antônio Jose Alves Souto (A. J. A. Souto & C.), Rua Direito, 59, sobrado

Bahia Irmãos & C, Rua da Alfândega, 32

D’Illion & Marques Braga, Rua do Sabão, 6

Gomes & Filhos, Rua Direita, 51

Lallemant & C, Rua de São Pedro, 7, sobrado

Mauá, Mac Gregor & C, Rua Quitanda, 143

Montenegro, Lima & C, Rua Direita, 43

Oliveira & Bello, Rua Direita, 47

Silva Pinto, Mello & C, Rua de São Pedro, 83

Tendo pago a todos os credores menores e mais pobres e a quase todos os maiores e mais ricos.

Para pagar as dívidas, a Fazenda Bela Vista foi vendida no mesmo ano de 1864 ao Conde de Bonfim que foi, portanto, o segundo proprietário da Capela. O Conselheiro Mayrink foi o terceiro e último, quando o oratório que pertencera ao Visconde Souto passou a ser conhecido como ‘Capela Mayrink’. A propriedade foi desapropriada em 1897 para integrar o Parque Nacional da Tijuca. A mansão foi demolida, mas a capela, felizmente, foi poupada e tornou-se uma das atrações do Parque Nacional da Tijuca, para o encanto de todos quantos a visitam, bem como o Barracão, que hoje funciona como sede administrativa.

Voltando à Lei dos Entraves, entre as suas várias determinações, trazia a primeira menção oficial à criação das Caixas Econômicas no Brasil, ainda que para o surgimento da instituição ainda fosse necessária a publicação de um novo decreto, assinado cinco meses depois, conforme escreveu Eduardo Bueno no livro ‘Caixa Uma História Brasileira’. Assim, em 12 de janeiro de 1861, foi implantada oficialmente pelo Decreto nº 2.723, a Caixa Econômica da Corte, cujas seis primeiras reuniões do conselho se realizaram em uma sala da Escola Nacional de Engenharia, no Largo de São Francisco, no Rio, entre março e junho de 1861. A partir da posse de Antônio Nicolau Tolentino como membro do conselho, assumindo o cargo de secretário, “as reuniões do conselho passam a ser realizadas na mansão do banqueiro e financista Antônio Jose Alves Souto, localizada na Rua Direita, um dos endereços mais cobiçados do Rio de Janeiro”.

Ainda segundo Eduardo Bueno, “a Caixa Econômica tem suas dívidas para com o comendador Alves Souto: além de ceder os aposentos de sua residência para cerca de dez reuniões do conselho, foi ele quem providenciou a mobília da sala da Câmara dos Deputados, no prédio da Cadeia Velha (onde atualmente se ergue o Palácio Tiradentes), na Rua da Misericórdia, onde ficara decidido que a Caixa, na falta de local mais apropriado, iniciaria suas atividades.”

A seguir transcrevo trecho do livro ‘A Velha Rua Direita’, de Fernando Monteiro, Banco do Brasil S.A., Museu e Arquivo Histórico, Rio de Janeiro, 1965, que aborda a Rua Direita, o Visconde Souto e sua corretora:

“Escritórios de desconto de letras, corretagem de câmbio e venda de apólices da dívida pública e ações de companhias davam preferência à Rua Direita, onde também funcionaram casas bancárias que fizeram época no Segundo Reinado, como as de Antônio Jose Alves Souto & Companhia, Gomes & Filhos, Oliveira & Belo e Montenegro, Lima & Companhia.

A suspensão de pagamentos por essas quatro firmas – a primeira delas fundada pelo depois Visconde de Souto, que começara como mero corretor de negócios do período agitado da Regência, impondo-se, por fim, não só como banqueiro opulento e figura de expressão no mundanismo da cidade, como pela simpatia que a todos inspirava por seu trato ameno e maneiroso, um public-relations nato – gerou a mais súbita e dramática crise sofrida pela praça do Rio de Janeiro, a que estourou a 10 de setembro de 1864.

A corrida e a sofreguidão de depositantes alarmados por boletins anônimos, que incentivaram o povo à desordem, determinaram cenas de violência e pânico não só na Rua Direita, como na da Alfândega, onde estavam localizados o Banco do Brasil, o London & Brazilian Bank e a casa bancária Bahia Irmãos & Companhia. Para proteger o Banco do Brasil – contra o qual havia bastante animosidade, decorrente da crença de haver ele negado recursos para debelação das dificuldades de Antônio José Alves Souto & Companhia – foi chamado um piquête de cavalaria do Corpo Policial da Côrte, o qual, recebido com gritos sediciosos de fora a polícia !, teve de manobrar, dispersando a multidão amotinada, com pisaduras e ferimentos.

A falência daquela firma, com perto de dez mil credores e o passivo de quarenta e dois mil contos de réis, repercutiu tão intensamente pelo País inteiro, que Calógeras recorda em sua clássica obra La Politique Monétaire du Brésil a tradição corrente, segundo a qual, nas mais remotas fazendas, por força de tanto ouvi-la, os papagaios constantemente repetiam a expressão: O Souto quebrou !

Tal crise – consequência da febre de negócios que se seguiu à extinção do tráfico de africanos, febre que Joaquim Nabuco classificou de ânsia de enriquecimento rápido, por um golpe de audácia – foi ampla e minuciosamente documentada no relatório da Comissão incumbida pelo Governo Imperial de estudar-lhe as causas. Integraram essa Comissão Ângelo Muniz da Silva Ferraz, ex-Ministro da Fazenda e autor da reforma bancária de 1860, José Pedro Dias de Carvalho e Francisco de Assis Vieira Bueno.

Quem não quiser, porém, recorrer a tão sisudo documento, recheado de algarismos e considerações técnicas, poderá limitar-se à leitura amena de uma das crônicas de Machado de Assis, que também viu a crise a seu modo, mencionando a tristeza do espetáculo, a praça em apatia, as ruas atulhadas de povo, a polícia pedestre a fazer sentinela, a polícia equestre a fazer correrias, vales a entrar, dinheiro a sair, vinte boatos por dia, vinte desmentidos por noite, ilusões de manhã, decepções à tarde; enfim – segundo o autor de Dom Casmurro – uma situação tão difícil de descrever como difícil de suportar.”

O Visconde de Souto faleceu no Rio de Janeiro, em 14/02/1880, às 3:30 horas, aos 67 anos, na sua casa, à Rua do Campo Alegre, 22, honrado e respeitado. Sepultado em 14/02/1880, às 17:00 horas, no Cemitério de São Francisco de Paula, Carneiro 59, ao lado dos Marqueses de Olinda.

A Viscondessa faleceu no Rio de Janeiro, em 27/10/1885, às 17 horas, aos 66 anos, na casa de seu filho Manoel, à Rua Marques de Abrantes, 79. Foi sepultada no dia 28/10/1885, às 17 horas, no Cemitério de São Francisco de Paula.

O Visconde de Souto e a Viscondessa tiveram 13 filhos, todos nascidos no Rio de Janeiro. Em decorrência do casamento de seus filhos, aparentaram-se com as famílias do Marques de Olinda, Visconde de Pirassununga, Conde de Ipanema e do Ministro Euzébio de Queiroz, casas das mais ilustres do Brasil.

Há um retrato do Visconde Souto na Beneficência Portuguesa, instituição que ele presidiu.

>>> retrato 10,5 x 6, identificado como sendo ‘do Bisavô Souto’.

De acordo com informação de Francisco Souto Neto, obtida com Fernanda Louzada, um retrato a óleo do Visconde Souto, pintado por Benedito Calixto, em 1891, foi a leilão na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, em 30/06/1992. E que outro retrato a óleo do Visconde e um da Viscondessa Souto, de autoria do mesmo artista plástico, também pintados em 1891, foram a leilão na mesma Bolsa de Arte no dia 17/06/1995.

Fiz contato com a Bolsa de Arte e recebi de Eloísa Bergamin (elobergamin@bolsadearte.com) a confirmação de que apenas dois retratos a óleo teriam feito parte de leilões daquela Bolsa:

  • um do Visconde de Souto, óleo sobre tela, 1891, 64 x 50, assinado, lote 115 de 30/06/1992 e
  • outro da Viscondessa Souto, óleo sobre tela, 1891, 62 x 50, assinado no canto direito, lote 134 do leilão de 27/06/1995.

Nós temos conosco, em nossa casa, um retrato á óleo do filho do Visconde Souto, Jose Antônio Alves Souto.

>>> José de Bessa e Meneses, que à época, ano de 1880, estava residindo em Portugal escreveu ao ‘Redator Principal’ do Jornal Commercio de Lisboa, Luciano Baptista Cordeiro de Sousa:

“Pedes-me tu, que só no declinar da existência, à beira do tumulo, conheceste o visconde de Souto e tamanha sympathia te inspirou logo, que eu te diga alguma cousa, e já, a seu respeito.

Fallece-me o animo, meu amigo. Sou eu o menos competente para dizer d’aquelle homem, verdadeiramente extraordinario, como lhe chamaste. Incompetente, por pouco lhe saber da vida, rica de acontecimentos, nobilitada por acções do mais fidalgo sentir, – que bem narrada encheria volumes – e sobretudo pela mingoa de cabedal litterario para escrever cousa que possas ler sem accommetter-te o tédio, ainda fazendo-o de espirito repousado, reflectida e pausadamente; quanto mais já; mas porque o desejas e os impulsos do coração m’o impõe como homenagem de gratidão ao nobre visconde de Souto, falecido no Rio de Janeiro em 14 d’este mez; e porque, longe d’aquella terra querida, não posso ir hoje, reverente e agradecido, desfolhar algumas flores e depor saudades e perpetuas na campa que encerra o melhor e mais generoso dos amigos, vencendo o natural acanhamento, obedeço-te; e ahi vae em frase singela o que d’ele sei. Veste tu, meu erudito Luciano, com o teu esmaltado e terso estylo esses apontamentos, que outro nome não tem nem merecem, se, porventura, resolveres dar-lhe publicidade no Commercio de Lisboa, que com tanto critério e brilhantismo rediges.”

E, a partir deste mesmo número do jornal (nº 339, de 23 de fevereiro de 1880) teve início a publicação da primeira de seis partes do artigo escrito por José de Bessa e Meneses, em Lisboa, em 21 de fevereiro de 1880.

Antônio José Alves Souto nasceu em 28 de março de 1813, na cidade do Porto, em modesta casa da rua Nova de S. João. “Teve humilde berço para embalar-se, a creança destinada a ser um dia o maior colosso comercial que jamais produziu Portugal !”

Aos 16 anos embarcou para a capital do Brasil, onde chegou a 27 de janeiro de 1830, trazendo no bolso uma carta de recomendação da respeitabilíssima casa de Barros Lima, do Porto, que lhe “dava direito a casa, cama, farta mesa e dinheiro para as primeiras necessidades, sem obrigação nem promessa de futuro pagamento.”

“Como em tão curtos anos tão larga mudança fazem os homens !”

Sua vida profissional teve início com o emprego de caixeiro na casa dos correctores-banqueiros Ferreira & Cohn, “uma das mais importantes do Rio de Janeiro, frequentada pelos homens mais influentes do commercio, que sympathicamente attrahidos se dirigiam de preferencia ao novel empregado; pouco tempo se demorou n’ella Souto.”

“Entre muitos amigos, dedicavam-lhe paternal afeição, o velho Maxwel, cidadão norte-americano; e Jeronymo de Freitas Caldas. Sob a proteção d’esses honrados negociantes estabeleceu-se ele em fins de 1834 como corrector de fundos e mercadorias.”

“Contava então 22 anos; estava um homem em todo o vigor da mocidade, de estatura mais que mediana, robusto, sem ser corpulento, grave e alegre, com certa nobreza de compostura, sempre irrepreensivelmente trajado, denunciava-se-lhe a exuberancia de vida, a ardencia do sangue, a tenacidade de caracter na atividade febril, na rapidez dos movimentos, no fulgor de olhar agudo e profundo, na segura serenidade com que tomava as mais graves decisões. Possuindo pouca instrucção, era fino e agradavel conversador; sabia-lhe a palavra prompta, a frase fluente, sem a menor affectação, d’uma singeleza inimitavel, observação de rara justeza e rapida, intermeando a conversação de ditos espirituosos, sem nunca servir-se de graçolas, agradava a sua presença em toda a parte.

Não fazia phrases de efeito, era sobrio de gestos, não declamava, e era eloquentíssimo.

Havia na sua voz vibrante e sonora, doce e musical, uma força de persuasão irresistível, e persuadia dobradamente por andar-lhe o coração constantemente à flor dos labios; nunca se serviu da palavra para ocultar o que sentia e pensava.

Com taes dotes tornou-se bem aceito às damas e estimado dos homens.”

Veio a se casar com a Srª D. Maria Jacintha de Freitas, sobrinha de seu particular amigo e protetor Jeronymo de Freitas Caldas, “corria o anno de 1835″, tendo sido padrinho, seu não menos decidido protetor, o americano Maxwel.

“Por esse tempo, dous ou três anos depois de estabelecido Souto, chegou ao Rio de Janeiro, fortemente recomendado a Maxwel, Dovey, vindo de Londres.

Era Dovey homem experimentado no commercio: na Inglaterra havia sido empregado da antiga casa Wanzeller.

Maxwel, com o espírito pratico de verdadeiro americano, que era, compreendendo imediatamente quanto devia ser útil a juncção d’aquellas duas forças e aptidões differentes, do impetuoso temperamento meridional e da friesa anglo-saxonia, da audacia e da moderação, do ardimento empreendedor e da calma reflexiva, de Souto e de Dovey, resolveu fazer a sociedade anglo-lusa.

Communicado o seu projecto aos interessados, que já se tinham encontrado e instinctivamente se estimavam, pelo que justamente valiam, foi por eles aceito com reconhecimento; e formou-se a sociedade Souto & Dovey, para o mesmo negocio, corretagens de fundos e mercadorias.

A entrada, dentro em pouco tempo, de um novo sócio, Benjamim, também inglês, obrigou a sociedade a mudar a firma para a de Souto, Dovey & Benjamim.

Dovey, além do seu gênio positivo e energico, ordeiro e disciplinador, havia aprendido na grande metropole do commercio do mundo, a apreciar a vantagem das largas e variadas operações, de modo a fazer com o mesmo capital repetidos negocios, não immobilisando irreflectidamente em transacções de morosa realização, de que pouco se cuidava, ainda no Brazil, onde o capital ficava improductivo longo tempo, por falta de emprego momentâneo e remunerador, pois não havia bancos que dessem e recebessem dinheiro em conta corrente de juros.”

“Os negociantes inglezes monopolisaram por aquelle tempo, quasi exclusivamente, o commercio de exportação do Rio de Janeiro; e com a entrada de Dovey para a firma, todos eles se tornaram compradores de Souto, Dovey e Benjamim.

Ahi principiou deveras e merecidamente a firmar-se a grande reputação de Antonio José Alves Souto. Em pouco tempo, inglezes, brasileiros, francezes, portuguezes e allemães, tratavam dos seus negocios com qualquer dos outros sócios, mas acabavam geralmente pelos decidirem com ele, tão sympathicase tornava a todos a sua pessoa. A sua atividade fez prodigios. Nos trapiches de deposito, nos armazens de café, em casa dos freguezes, na praça, no escriptorio, alternadamente, via-se ele por toda a parte; e no entanto, quando era preciso, sabia-se onde encontral-o, porque o itinerario das suas escursões, o programa dos seus trabalhos diarios ficava no escriptorio. Andava elle, pois, ao corrente de tudo e tudo via quanto era concernente ao seu negocio, estando sempre prompto a informar o comprador das mais minuciosas particularidades, fosse o que fosse de que se tratasse.

Boa parte da produção do Brazil era n’esse tempo vendida no Rio de Janeiro, pois não só eram limitadissimas as transacções directas entre a Europa e os portos do sul do Rio de Janeiro, nem a Bahia e Pernambuco negociavam com as republicas do Rio da Prata, senão por intermedio da capital do imperio. O fumo e o café, o assucar e a aguardente, tudo ali se vendia e boa parte por intervenção de Souto, Dovey & Benjamim.

Subiram imediatamente a milhares de contos de réis a somma das vendas da casa; a percentagem, sendo pequena, e dividida por tres sócios, só ao fim de largos anos, daria a cada um d’elles regular  fortuna; por isso, estando na infancia a industria bancaria, resolveu Souto empregar o capital da casa em desconto de titulos mercantis e em seguida receber dinheiro em deposito por contas correntes de premio,  de que passava ‘cheques’, à ordem dos depositantes ou ao portador, o que constituía uma novidade na vida commercial do Rio de Janeiro.

O menino desprotegido, estava banqueiro !

O credito da casa foi crescendo e as suas transacções alargando-se. A importância dos depositos augmentava constantemente. O publico foi-se familiarisando com o negocio da casa bancaria. Sommas enormes, em relação a época, as sobras dos negociantes procuravam n’ella emprego retributivo.

Timido a principio, foi-se o dinheiro afoutando, caminhando para a casa bancaria, que, a seu turno, afim de aproveital-o, abria mais vasta esphera ao seu movimento, facilitando todos os negocios, que ali mesmo, acto continuo, se entabelaram e terminaram. Por exemplo, cumprindo ordens de negociante exportador, comprava um carregamento de café, pagava-o, e tendo antecipada e, condicionalmente, vendido a cambio, entregava ou creditava o saldo ao exportador.

Em curto espaço, sem ruído, sem ostentação, sem artimanhas, natural e honestamente, tornou-se a casa dos honrados banqueiros o centro de que irradiava o mais variado impulso mercantil do Rio de Janeiro.

Por volta de 1850 ou 1851, (abandona-me a memoria, não posso precisar a data) porque o sol abrasador dos tropicos lhes crestava a fina epiderme britannica, porventura a satisfação de sua modesta ambição com a fortuna conseguida, saudades da velha Inglaterra, ou porque as brumas nataes eram precisas ao seu temperamento, retiraram-se Dovey e Benjamim, desprendendo-se a custo dos braços de Souto.

Rico, elle, que da classe popular se erguera a tão elevada e invejavel posição, porque não cerrou ali a sua vida comercial ?

Impellia-o a ambição ?

A ambição ! se elle foi sempre modestíssimo como a sua origem !

Era fatal.

Ha homens assim; a sua missão é trabalhar, trabalhar, trabalhar sempre e morrer trabalhando ! Antonio José Alves Souto, era um d’esses homens.

Para organições taes a inactividade é a morte.

Só, com o mesmo negocio, que largamente satisfizera as necessidades de tres, é intuitivo, que reduzir as operações da casa, por algum tempo ao menos, parecia acto de simples prudencia.

Foi o contrario que sucedeu !

A sua inquebrantável actividade tornou-se vertiginosa.

Vae fulgir com maior brilho a sua estrela.

O colosso comercial vae chegar ao Austerlitz da sua grandeza ! Ainda mal, que, como ao corso, com maior intervalo embora, lhe presenciaremos o Waterloo.

A demorada convivencia de Souto, a affectuosa intimidade, com os sócios inglezes, tinha de certa forma, modificado o seu caracter, infelizmente, na apparencia somente. A sua compostura tornou-se mais grave; a casaca preta, calças e colete da mesma cor ou brancos, era o traje de que constantemente usava. A physionomia, sempre iluminada por suave sorriso, adquiriu esse ar de bonhemia peculiar do negociante inglez; a voz retrahindo-a, sempre doce e harmoniosa, e mais agradavel pela sonoridade que assim adquiria, soava unicamente quanto era preciso para ser ouvida da pessoa a quem as dirigia, não procurando, ainda nas occasiões de mais viva discussão,  attrahir com o olhar os aplausos do auditorio.

Conseguira mostrar-se calmo; mas, não ser frio.

O rosto era sereno; o vulcão rugia lá dentro.

A palavra, porém, retractava fielmente o pensamento.

Dissolvida a sociedade, Souto, Dovey & Benjamim, participou aos fregueses continuar ele com o negocio; nem um só se retirou.

Ao contrario, os mesmos particulares, pequenos industriaes e trabalhadores principiaram a levar as suas economias à casa bancaria de Antonio José Alves Souto.

Em breve espaço, a affluencia de dinheiro a correr-lhe em deposito para os cofres, qual grossa torrente a despenhar-se vertiginosamente por alcantilado e aportado desfiladeiro, era immensa, enorme !

A face econômica da capital do império estava mudada.

Já ninguém queria dinheiro em casa.

- Dinheiro em casa … loucura ! …

- Mais seguro está elle com o Souto à minha ordem, vencendo juros.

- Tu não levas o dinheiro ao Souto ?

Eis ahi o que por todas as ruas se ouvia.

Era uma verdadeira romaria, de todas as classes e nações, sobraçando massos de notas do Banco do Brasil ou do tesouro, que, em testemunho de homenagem, levavam ao deus do ouro, para as fazer medrar.

Houve dias, sem crise nem corrida, em que era mister voltar duas e três vezes ao escriptorio, para conseguir acesso junto ao mostrador !

E se fosse só isso ! …

Em repartições anexas, faziam-se descontos de letras e contas assignadas, operações de cambio, vendas de apolices, acções de bancos, carregamentos de café, assucar e cannas.

Era magnífico, deslumbrante !

Que credito tinha aquelle homem !

Todas essas variadíssimas operações faziam-se com uma rapidez incrível.

O pessoal era o strictamente necessário mas, hábil, excelentemente adestrado, e animado do desejo de agradar, em razão da boa retribuição que recebia; e a honra de ser empregado do Souto levava-o a praticar prodígios de actividade, sem a menor confusão, de modo que, ao proceder-se de tarde à conferencia, raramente apparecia alguma duvida. E note-se que essa confiança sem limites, essa corrente de dinheiro para sua casa, já lhe estava sendo fortemente disputada.

O movimento comercial do Rio de Janeiro tinha-se desenvolvido espantosamente; e para satisfazer-lhe as necessidades, e – um pouco – estimulados pelo prestigio do banqueiro portuguez, – não digo levados da inveja da sua prosperidade, – havia já diversos bancos e alguns banqueiros, ou antes, ainda cambistas, mas que solicitavam descontos e foram mais tarde verdadeiras casas de banco.

De um extremo devia passar-se a outro; de nada a tudo. A reação foi violenta.

Veja a febre bancaria e industrial.

Todas as manhãs, ao abrir os jornaes do dia, havia certesa de encontrar o prospecto d’um novo banco ! 

Há poucos anos, tratando-se no senado da creação de um banco para auxiliar a lavoura, dizia um dos maiores talentos e estadistas brazileiros, Zacarias de Goes e Vasconcellos, que esse banco deveria ser inglez, porque no Brazil não havia um homem habilitado para o dirigir !

Esta proposição, severa e injusta actualmente, seria então verdadeira.

E, forte cegueira, todo o mundo queria crear bancos !

E não eram só bancos como companhias, para tudo … e outras cousas mais.

Eu presenciei esse espetáculo tremendo.

Não era febre, era delírio !

Por muito disparatada que fosse a ideia creadora do banco ou companhia, achava admiradores; as acções eram subscriptas; e, sem approvação de estatutos, o direito a recebel-as era transferido de manhã com 10% de lucro, à tarde com 100 e no dia seguinte com 200% !

A loucura foi geral !

A população inteira do Rio de Janeiro entregou-se à agiotagem !

Um medico, meu amigo, lamentou-se-me desesperado por ter vendido, de manhã, 100 acções com 60% de premio, que já valiam, horas depois, 70%.

O descalabro não se fez esperar !

Souto sahiu incólume da emergencia.

Com raro bom senso previu o resultado, conheceu o perigo, e evitou-o.

Ainda não havia manchas n’aquelle sol; o seu brilho tornou-se maior, rutilou com mais força.

O primeiro eclipse, vinha ainda longe; os seus raios beneficos tinham de fazer dasabrochar muitas fortunas, antes de principiarem a obscureccer-se.

A habilidade e prudencia que desenvolveu n’essa occasião, pois enormes foram as somas sahidas de sua casa, a principio, destinadas à compra de acções, causou geral admiração.

Desde então, foi Souto considerado uma notabilidade, uma potencia indispensavel para tudo.

Deputados, titulares, senadores, capitalistas, diretores de bancos e ministros de estado, encontravam-se frequentemente no seu gabinete commercial: todos ambicionavam a honra da sua intimidade.

Aos domingos, centenas de pessoas, da mais elevada como da mais baixa classe, iam passear à sua chacara.

Todos ali se sentiam à vontade.

É que ele a todos agradava com a sua lhaneza. Ao operário que ia ver os bichos, (leões, pantheras, ursos, etc.) como o povo os chamava, ou ao mais alto personagem, recebia sempre com o seu amavel sorriso.

Ao ocioso dizia-se; vao ver a chácara do Souto.

A quem tinha uma pretensão: arranja um empenho para o Souto.

Ao negociante em apuros: falla com o Souto.

Tocou o apogeu a sua grandesa.

Da eminente posição a que chegára não havia caminhar além: attingira ao Zenith !

E não sentiu deslumbramentos, não o inebriou a opulencia, não se atirou no turbilhão das festas, não humilhou ninguém com o seu fausto. Quem o vira então, simples e natural, na desvanecedora situação em que se achára, havia de presumil-o saído de dourado berço, poderosa e nobre estirpe !

A grandeza parecida feita para elle e elle para ella.

Todos se ocupavam da sua omnipotência; só ele parecia ignorar o que podia.

Honrado com a confiança do Imperador, recebia-o em sua casa e toda a família imperial, com a maior singeleza, sem o espalhafato ridículo dos preparativos burguezes em taes occasiões.

Ainda com a mão esquecida ao contato da dextra imperial aportava cordialmente a do operário honrado.

Longe de envergonhar-se da sua origem como tantos outros, que d’ella apagam a importuna lembrança com o brilho das comendas compradas, o visconde de Souto orgulava-se em rememoral-a: e, filho extremoso e irmão dedicado, attestava-a, chamando a todos para a sua companhia.

O irmão tomou parte nos seus trabalhos commerciaes, e em seguida estabeleceu-se; as irmãs casou-as com homens distinctos; a velha mãe teve sempre o logar de honra em sua casa, e morreu-lhe nos braços.”

… “Por esse tempo quebrou o banqueiro Ferreira, o seu primeiro patrão. O triste velho, que tão festejado fora, viu-se reduzido à última extremidade, de todos desamparado, ninguém lhe perdoava o excessivo amor dedicado a um filho, que para a perda da fortuna e honra do seu nome contribuiu.

Soube Souto o apertado transe em que se achava o desgraçado Ferreira. Não lhe soffreu o animo generoso esperar um momento; correu a procural-o e encontrou-o.

- Meu patrão, sei que precisa d’um amigo; e eis-me aqui.

- Obrigado ! Eu ia morrer; não sei como; mas breve; respondeu chorando, o alquebrado ancião.

- Vamos para casa; tenho lá uma numerosa família que o respeita e há de consolal-o.

E levou-o consigo.

À sua mesa ninguém se sentava antes do velho Ferreira chegar; os filhos e filhas beijavam-lhe a mão como ao pae; e as mais pessoas cumprimentavam-n’o como a um superior respeitado e amado.

Ali, o hospede era senhor.

O visconde de Souto, impressionava a quantos d’ele se aproximavam e impressionava-se facilmente.”

… “… não dava bailes e festas sumptuosas, que nunca os dera, raramente appareceia nas casas de espectaculo, sendo-lhe encanto único passear por entre as umbrosas arvores da chacara e refugiar-se, parte da estação calmosa, nas solidões da Cascatinha, propriedade sita na pittoresca e amena Tijuca, lendo, conversando com algum amigo ou observando os trabalhos de reparação e cultivo que se faziam; comprazia-se, porém, em contribuir para melhoramentos do município da corte, subscripções de toda a qualidade, liberdade de escravos, erecção de monumentos, fundação de instituições de caridade, protecção a famílias desamparadas, quer se tratasse de Portugal ou do Brazil, de portuguezes ou brazileiros.

 Elle amava Portugal como a terra do seu nascimento; o Brazil, aquella terra formosa, hospitaleira, como a patria de adopção; e brazileiros e portuguezes confundia-os no seu immenso amor ! N’aquelle peito não havia lugar para mesquinhas rivalidades.

O visconde de Souto era cosmopolita quando se tratava de caridade.

Quantas vezes seu irmão e filhos, occultamente, em carta fechada, levaram em avultadas quantias, o pão ao faminto, a coberta ao nú e o consolo a todos !

Que benéfica acção foi a d’aquelle homem ! Que grande e generoso coração era o seu !

Esse sentimento sublime de caridade contribuiu poderosamente para a extraordinaria popularidade e veneração de que gosou.

Dignatario da Ordem da Rosa, pelo Brazil, visconde de Souto por Portugal, estava pelo casamento dos filhos aparentado com as famílias do barão de Pirassinunga, conde de Ipanema, marquez de Olinda e o notavel estadista, tantas vezes ministro de estado, Euzebio de Queiroz, casas das mais illustres do Brazil.”

“A catástrofe tremenda avizinha-se.

O anno de 1864 ficará para sempre tristemente memoravel nos annaes do Brazil e principalmente da sua capital.”

“Ninguem supunha então, é certo, que aquella guerra, celebre por tanto feito valoroso, praticado em combates navaes e batalhas campaes, duraria 5 anos, custaria quinhentos mil contos e cem mil homens; mas, o receio do desconhecido accomettia todos; e o capital, sempre tímido ao aproximar do perigo, retrahia-se violentamente.”

“Assim amedrontados os espíritos, o credito, em geral, foi-se restringindo; e os depositos escoando-se rapidamente da casa do visconde de Souto.

Por vezes, já os seus cofres, ao terminar o expediente, tinham-se fechado exaustos, sobre si mesmo.”

“Os depósitos confiados à sua casa achavam-se extremamente reduzidos e, por isso mesmo, a sua carteira vasia. A sua responsabilidade no Banco do Brasil subia a cerca de 30 mil contos, quando chegou o nefasto 10 de setembro de 1864 !

N’esse dia os seu pagamentos montavam a cerca de 1:000 contos; e nem a entrada de depositos os supria nem havia títulos em carteira para redescontar !

Importantíssimas eram as suas propriedades; o seu capital elevava-se ainda a três mil e tantos contos; mas um banqueiro d’aquelles não hypotheca casas e os seus devedores não lhe acudiam.

Esta situação foi debatida fria e silenciosamente no seu escriptorio com a diretoria do Banco do Brasil; e o resultado da conferencia foi o banqueiro suspender pagamentos.

Na tarde d’esse dia, espalhou-se o lúgubre acontecimento.

Os mesmos que suspeitavam a verdade, que anteviram aquelle desfecho, pasmaram de o vêr realizado !

O Souto suspender pagamentos ! … era a geral e plangente exclamação.

No dia seguinte, logo de manhã, a rua Direita e outras próximas estavam intransitaveis, tal era a multidão que as enchia.

Às 10 horas, manifestou-se a corrida às casas bancarias e aos bancos.

Decretavam-se medidas, extraordinarias: deu-se curso forçado às notas do Banco do Brazil, suspenderam-se os vencimentos commerciaes.

Era tarde !

Todas as casas bancarias, qual magestoso edifício, que na sua queda tremenda esmaga as humildes construcções, erguidas na sua vizinhança, foram feridas de morte no baque do colosso, cuja grandeza cubiçavam ! 

Umas fecharam logo as portas, outras luctaram, fizeram imensos sacrifícios e liquidaram desastrosamente em seguida !

A população do Rio de Janeiro, excepção feita d’um ou outro imprudente irreflectido, ignorante e sem coração, deu excelente testemunho do seu valor moral: nenhum attentado, nenhuma provocação, cordura admirável !

O que sofreu então o visconde de Souto, não se descreve; e não era por si, mas pelos seus credores que sofria.

Não se desfez em vãs lamentações, não se queixou de ninguém.

Aos seus olhos só havia um culpado: elle !

A sua atitude nobre e resignada impoz respeitosa dôr.

A mim, nunca elle me pareceu tamanho, como na desventura.

Dos milhares de contos de réis, que diariamente lhe passaram pelas mãos, tinha em casa, na hora do desastre, algumas dezenas de mil réis ! Abyssinios há-os em toda a parte; mas, ao descambar, aquelle grande homem, (honra lhes seja !) achou verdadeiros amigos a seu lado. Reuniram-se, juntaram cento e tantos contos de réis; e compraram para lhe offerecer, a propriedade em que residia, e as joias, na maior parte relíquias sagradas de família. O próprio imperador mandou sympathicamente manifestar-lhe o pesar que o seu imerecido infortunio lhe causava.  É que d’aquelle immenso desastre, sahiram immaculados o brio, a dignidade e a honra.

Escudado n’essas qualidades, voltou a trabalhar em corretagens, e ninguem inspirava mais confiança do que elle; o seu escriptorio estava sempre cheio.”

“Estas nobilíssimas acções não ficavam sem recompensa: elle amava o trabalho, precisava do trabalho para manter a família e exercer a sua atividade, e trabalho productivo não faltava no seu escriptorio.

Sem a lembrança dos prejudicados de 1864, o visconde de Souto teria percorrido quasi feliz os ultimos annos da vida. Não as tendo creado, não sofria necessidades. Era geralmente estimado; tinha uma família exemplaríssima, que o venerava; e os incommodos physicos não o atormentavam.

Se elle podesse esquecer ! …

O sorriso continuava a enflorar-lhe os lábios, mas era um sorriso tristemente melancholico.

Atravez d’aquella serenidade, via-se a dor que o pungia.

Desde 1864 tornou-se sujeito a longas horas de completa abstração.

A esposa e a mãe, não o vendo apparecer, seguiam pé ante-pé ao seu gabinete, e iam encontral-o recostado à secretária, com a cabeça apoiada na mão, murmurando: meus pobres credores ! … Outras vezes porque a meditação era mais profunda, a immobilidade mais completa, a concentração do espirito mais forte, as senhoras assustavam-se e diziam, chamando-o com essa entonação amorosa, dorida e meiga, que só as esposas e as mães conhecem: Antônio ! …

E o visconde de Souto erguia-se como quem disperta, beijava-as, desprendia-se-lhe dos braços e ia sob as arvores do parque, obscurecido pela sombra e o avizinhar da noite, procurar refrigério à febre que o abrasava.

Resumindo:

O visconde de Souto foi um grande homem.

Teve por divisa: honra e trabalho. Accommettido de um ataque apoplético no seu escriptorio commercial, só deixou o campo da honrosa lide para ir morrer.

O seu glorioso objetivo foi a caridade.

Errou ?

Era homem.

A causa dos seus erros ?

A sua bondosa e extrema sensibilidade, a sua grandeza de alma e a generosidade do seu coração.”

Lisboa, 21 de fevereiro de 1880

José de Bessa e Menezes

Agradeço à Biblioteca Nacional de Portugal, em especial ao Serviço de Informação Bibliográfica (infobib@bn.pt) e à Área de Reproduções (reproduções@bnportugal.pt), por proporcionarem meu contato com esta emocionante e sensível biografia do Visconde de Souto, escrita por um amigo, que teve o privilégio de usufruir da convivência de um homem que quanto mais dele descubro mais o admiro.

Continua em DESCENDÊNCIA DO MARQUES DE OLINDA – 2ª parte.

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One thought on “DESCENDÊNCIA DO MARQUES DE OLINDA

  • Jose Roberto disse:

    Silvia, que belo trabalho! É uma pena que a Vovó Irene, Dinda e Tio Raul, que curtiam muito a história da família, não estejam mais aqui. Mas, aonde eles estiverem, certamente estarão curtindo muito este trabalho. Parabéns.