Dicas de Viagem de Silvia Grumbach

VIAJAR É ANTES DE TUDO UM ESTADO DE ESPÍRITO. GOSTAMOS DE NOS SENTIR LIVRES PARA ESCOLHER NOSSOS DESTINOS, FAZER NOSSOS PRÓPRIOS ROTEIROS, GASTAR MAIS OU MENOS TEMPO DE ACORDO COM NOSSA VONTADE E NOSSO SENTIMENTO EM CADA LUGAR VISITADO. AFINAL ESTAMOS SEMPRE DIANTE DE UMA INFINIDADE DE POSSIBILIDADES. SUGIRO QUE COMECE LENDO "O PORQUE DOS ROTEIROS ???" Clique sobre as ilustrações para vê-las ampliadas e, por favor, se as copiar, não deixe de citar a fonte. AO INTRODUZIR OS RESULTADOS DE MINHA PESQUISA DE NOSSA GENEALOGIA, PROSSEGUI NUMA VIAGEM, ESTA DE VOLTA AO PASSADO, REVISITANDO HISTÓRIAS DE VIDA E SEUS PERSONAGENS, NOSSOS ANTEPASSADOS … VIVOS EM NOSSAS LEMBRANÇAS

DESCENDÊNCIA ESPANHOLA & PORTUGUESA

“A fome só se satisfaz com a comida 

 e a fome de imortalidade da alma

com a própria imortalidade.

Ambas são verdadeiros instintos.”

Fernando Pessoa

Gaspar Rodrigues Blanco (El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha)

& Ignez Garcia Simon (El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha)

  • Gaspar Rodrigues Garcia (El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha)

Bernabé Antônio Ponce Hermosino (El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha)

& Maria Josefa Hidalgo (Granada – Andaluzia – Espanha), residentes na Cidade de Bejal – Província de Évora – Reino de Portugal

  • Maria Lorena Ponce Hidalgo (Reillanueva de Portimory – Província do Algarbe – Reino de Portugal)

Gaspar Rodrigues Garcia

& Maria Lorena Ponce Hidalgo, residentes na Rua Grande, casa s/nº – El Almendro – Andaluzia – Espanha

  • Diego José Rodrigues Ponce (07/03/1872) – El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha

Maximino Moreira

& Anna de Jesus Moreira

  • Jacintha de Jesus Moreira (Portugal)

Diego José Rodrigues Ponce (El Almendro – Huelva – Andaluzia – Espanha)

& Jacintha de Jesus Moreira (Portugal)

  • Marianna Moreira Ponce (31/08/1912)

Iniciei minhas pesquisas a partir do Registro Civil da 5ª Pretoria (Jurisdição) do Engenho Velho do Rio de Janeiro do nascimento de Marianna Moreira Ponce, em 31/08/1912, às 06:30 horas, na Rua Barão de Itapagipe nº 70.

De acordo com a própria Marianna, seu nome deveria ser Maria Anna, nomes das avós paterna (Maria) e materna (Anna), contudo, acabou escrito na certidão de nascimento Marianna, assim como dizia ter nascido em 30/08/1912, data em que comemorava seus aniversários.

Pais:

Diogo Rodrigues Ponce é como consta na certidão de nascimento da filha, contudo, no Cemitério São Francisco Xavier consta o óbito de Diego Rodrigues Ponce, informação confirmada na ficha de seu cadastramento no Consulado Geral da Espanha no Rio de Janeiro, feito quando de sua chegada ao Brasil (Rio de Janeiro).

Jacintha de Jesus Moreira, portuguesa.

Seus pais se conheceram a bordo de um navio, quando ambos vinham para o Brasil, o pai em viagem e a mãe trabalhando no navio.

Roberta Jansen escreveu em reportagem de 18/04/2009, sob o título ‘Recuerdos de España, publicada no Jornal O Globo, que “Entre 1889 e 2001, de acordo com números do governo da Espanha, 709 mil espanhóis vieram para o Brasil. Esse número os coloca na terceira posição como maior grupo de imigrantes a contribuir com a formação da população brasileira, atrás apenas de portugueses e italianos – descontados, claro, os africanos que vieram à força, como escravos.”  “Na análise do próprio governo espanhol, a Espanha é um ‘país de emigração’, um grande fornecedor de mão-de-obra trabalhadora para os mais diversos países desde a sua formação. Como apontam os historiadores, seu nascimento como Estado, em 1492, coincide com a chegada de Cristóvão Colombo às Américas e com o início de um ciclo de emigração às colônias que duraria três séculos. Em contraste com a já saturada Europa, a praticamente despovoada América, oferecia um apelo e tanto para trabalhadores espanhóis. Os especialistas dizem, no entanto, que embora tenha começado praticamente junto com o estabelecimento das primeiras colônias, a migração espanhola aumentou consideravelmente no fim do século XIX. Entre 1889 e 1899, ocorreu o primeiro grande ciclo de migração espanhola para o Brasil. Neste período, segundo a documentação recuperada pelo governo espanhol, cerca de 175 mil espanhóis entraram no país. A abolição da escravidão um ano antes forçou os grandes produtores agrícolas a buscarem novas formas de mão-de-obra para substituir a dos escravos. Nesta primeira leva, eles vieram sobretudo para a lavoura, principalmente a de cana-de-açúcar e a de café.”

Tiveram 7 filhos, do mais velho ao caçula:

  1. Francisco Moreira Ponce, nascido em 12/04/1903, no Rio de Janeiro, falecido em 30/10/1993, em Campinas. Casou-se com Edith Costa Oliveira Ponce, nascida em 25/08/1900 e falecida em 26/08/1939. Tiveram três filhos:                                                                                   > Germana Ponce Machado, nascida em 07/08/1927, casada com Edmundo Machado Junior, tiveram 4 filhos:                                          >> Edmundo Machado Netto,                                                                >> Edith Luiza Ponce Machado,                                                            >> Gerson Ponce Machado e                                                                >> Gennyson Ponce Machado                                                                 > Edith, nascida em 22/08/1929 e falecida em 10/04/1931 e                  > Francisco Moreira Ponce Filho, nascido em 22/02/193? e falecido em maio/2010 no Rio de Janeiro, casado com Maria Odette de Souza Ponce, tiveram 2 filhos:                                                                          >> Marcos Aurélio Moreira Ponce e  >> Deni César Moreira Ponce.                                                                                              Casou-se uma segunda vez, em 25/01/1941, com Dinah de Castro Pacca Ponce, nascida em 06/02/1913, em Ilhéus e falecida em 25/05/2011, em Campinas, tendo tido uma filha:                                                                                                          > Denise Ponce de Oliveira, nascida em 20/10/1941, no Rio de Janeiro, casada com Hermelindo de Oliveira, tiveram 2 filhos:                           >> Marcus Antonius Ponce de Oliveira e                                                >> Aline Ponce de Oliveira, casada com George Akira Oda, com quem teve 2 filhas:                                                                                         >>> Amanda Tiemi e                                                                             >>> Sofia Yumi Oda.
  2. Diogo Moreira Ponce casado com Maria Luiza Trepin Ponce, tiveram cinco filhos:                                                                                               > Diogo Moreira Ponce Junior                                                                                     >> Luiz Carlos Alves Ponce                                                                               > Mauricio Moreira Ponce                                                                                       > Manoel Trepin Ponce                                                                                             > Gesus Moreira                                                                                                     > Izis Moreira Ponce
  3.  Emílio Moreira Ponce
  4.  Mathildes Moreira Ponce, nascida em 30/04/1907, na casa nº 89, da Rua Pedro Alves, casada em 12/08/1977, com José Miguel Magalhães Malheiro, passando a assinar Mathildes Ponce Malheiro. Falecida em 25/06/1991.
  5. Marianna Moreira Ponce
  6. Ignês Moreira Ponce, nome de casada Ignês Ponce Dias
  7. Antônio Moreira Ponce

Sua mãe, Jacintha de Jesus Moreira, morreu, deixando o filho caçula, carinhosamente tratado por Antonico, com apenas 6 meses de idade.

Com o falecimento da mãe, ela e os irmãos foram entregues pelo pai aos respectivos padrinhos.

No caso de Mariana Moreira Ponce, ao casal de padrinhos Jesus Soto Lage & Aristides Gonzalez Soto.

Casou-se em 25/01/1939, às 17 horas, na Igreja dos Sagrados Corações, deixando de assinar Marianna Moreira Ponce, passando a assinar Marianna Ponce Grumbach.

>>> Aqui será inserido o convite de casamento de Mariana Moreira Ponce & Joseph Grumbach e o das Bodas de Ouro, que se realizou em 25/01/1989, às 19 horas, na mesma Igreja dos Sagrados Corações.

O pai, Diego Rodrigues Ponce, de acordo com seu cadastramento no Consulado Geral da Espanha no Rio de Janeiro, nasceu em El Almendro, na Espanha, em 07/03/1872 e, de acordo com o Registro de Óbito, faleceu aos 91 anos, em 13/04/1963.

No Cemitério São Francisco Xavier existe registro de que seus restos mortais foram transferidos em 1969 para o Carneiro de Adulto nº 199 Quadra 16 (Quadro de Protestante).

De acordo com a Certidão de Nascimento, obtida no Juzgado de Paz de El Almendro (Huelva), Registro Civil Nº 40, Diego José Rodrigues Ponce nasceu em El Almendro, às 10:00 horas, do dia 08/03/1872, filho de Gaspar Rodrigues Garcia, natural de El Almendro, província de Huelva, ferrador, domiciliado na Rua Grande, casa sem nº e de Maria Lorena Ponce Hidalgo, natural de Reillanueva de Portimory, Província do Algarbe, Reino de Portugal. Neto paterno de Gaspar Rodrigues Blanco e de Inez Garcia Simon, naturais de El Almendro, ambos já falecidos e neto materno de Bernabé Antônio Ponce Hermosino, natural de El Almendro, Província de Huelva e de Maria Josefa Hidalgo, natural da Província de Granada, domiciliados na Cidade de Bejal, Província de Évora, Reino de Portugal.

A Espanha se divide em 17 comunidades autônomas e duas cidades autônomas (Ceuta e Melilla).

Uma destas 17 comunidades autônomas é a de Andaluzia, que se divide em oito províncias que, por sua vez, se dividem em 770 municípios. Sua capital é a cidade de Sevilha.

Huelva é uma das oito províncias de Andaluzia, com 79 municípios.

Um destes municípios é El Almendro, portanto, El Almendro é um município da Espanha, da comunidade autônoma de Andaluzia e da província de Huelva.

A atual Huelva era chamada pelos romanos de Onuba. Os naturais da Província de Huelva chegaram a ser chamados huelvinos, contudo, pela falta de sonoridade, acabou mantendo-se onubenses.

El Almendro pertencia ao Condado de Niebla, um título nobiliárquico espanhol, originário da Corona de Castilla (Coroa de Castela), que o Rei Enrique II outorgou em 01/03/1368 à Juan Alonso Pérez de Guzmán y Osorio, IV Señor de Sanlúcar, por sua fidelidade na guerra pelo trono na Primeira Guerra Civil Castellana.

O Condado de Niebla foi o primeiro condado hereditário que se outorgou a um estranho à família real e é o título tradicionalmente utilizado pelos herdeiros da Casa de Medina Sidonia.

O condado tomou seu nome da aldeia andaluza de Niebla, que, então, estava localizada no Reino de Sevilha e que atualmente está na província de Huelva.

Os que nascem em El Almendro são almendreños ou almendrenses.

A região, ponto de encontro do Oceano Atlântico e do Mar Mediterrâneo, guarda as marcas dos 800 anos de domínio mulçumano, até que em 1492 os Reis Fernando de Aragão e Isabel de Castela conquistaram a vitória definitiva.

Do Porto de Palos, na cidade de Huelva, partiu a frota que, em 1492, descobriu a América sob o comando de Cristóvão Colombo.

A campanha de expansão castelhana na América durante o século XVI causou um período de esplendor na Andaluzia ocidental, especialmente em Huelva, Sevilha e Cádiz, devido a sua situação como porta de saída para a América.

Em 1519, foi fundado o povoado de El Almendro por Don Alonso Perez de Gusman.

Era costume nestas aldeias andaluzes transmitir aos filhos os nomes na íntegra dos respectivos avós, pais e tios.

Estou em busca da publicação ‘Os do Almendro’, de António Manuel Pulido Garcia, editada no Jornal Novidades de 08/02/1925, bem como da Monografia do Padre Emiliano Rodriguez sobre a povoação de El Almendro. No site Geneall descobri que Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes tem esta monografia e lá mesmo, na página da Geneall, deixei registrada estas minhas duas buscas, mas não obtive resposta. Contudo, mantenho a esperança de conseguir tais publicações.

Vencendo as dificuldades e o pouco tempo com a persistência, localizei e obtive na Biblioteca Nacional de Portugal uma cópia de ‘Os do Almendro’, de 1998, de António Pulido Garcia, que, de acordo com o Prefácio, pretende ‘não só perpetuar um estudo profundo sobre as nossas raízes, feito por dois antepassados, como igualmente mostrar às novas gerações quais os princípios que regiam os nossos avós.’

Abaixo reproduzo alguns poucos trechos do livro, exatamente para ajudar a experimentar o contexto em que viveram, como que numa viagem ao passado:

‘Os do Almendro formam já no meado do século XIX uma vasta rede familiar que se defende no meio da população portuguesa separando-se inteiramente deles pois só casavam uns com os outros e conservava religiosamente a língua castelhana e todos os costumes Andaluzes.

A oposição aos casamentos portugueses era tal que o primeiro casamento misto foi celebrado numa ermida no campo e esteve um ano secreto no norte. Só o nascimento da primeira neta conseguiu acalmar a fúria dos velhos.

Só na segunda geração nascida em Portugal começaram os casamentos mistos, sempre mal vistos e valha a verdade em geral pouco felizes; tanto que hoje se nota uma reação contra eles e os casamentos estão a fazer-se de preferência entre parentes, pelo menos nos núcleos mais numerosos de fixação.

Como acima dizemos, os emigrantes ao princípio conservaram íntegro o seu carácter espanhol e esperavam poder voltar um dia ao Almendro. Consideravam a sua fixação como meramente provisória e entretinham uma ligação, embora frouxa ao Almendro. Ainda ouvi falar nos costumes de ir anualmente à festa da Senhora das Pedras Alvas, mas já nunca ouvi dizer a ninguém que pessoalmente tivesse lá ido.

Entretanto era preciso ir ganhando a vida, e os emigrantes dedicaram-se sobretudo ao pequeno comércio local que lhe era facilitado pelas casas de maior importância de Lisboa. Corras Garcia e Barroso em Lisboa e outros de mais efémera duração em Sevilha.

Os emigrantes ignoravam completamente as leis civis portuguesas e viviam numa espécie de comunismo familiar pois em regra não faziam partilhas. Ainda hoje a maior fortuna territorial dos emigrantes se mantém indivisa.

Parece porém que a habilidade e o gosto comercial dos emigrantes não era grande, pois cedo os vemos dedicar-se à Agricultura, que ainda hoje constitui a sua principal ocupação.

A fortuna começou a sorrir-lhes e coitos latifundiários a arredondarem-se e cedo começaram a dar aos filhos uma carreira literária, ao mesmo tempo que a totalidade da emigração passava das fronteiras das classes populares para a grossa burguesia. Ia-se estudar a Espanha já se vê. Os primeiros foram Pulido por Monpellier e Garcia Perez por Cádiz. Quase tudo estuda medicina, naturalmente porque abria uma carreira livre e independente do estado português que para os velhos só existia sob uma forma: Contribuições.

Só a terceira geração começou a ser vencida pela doçura de Portugal e renunciou definitivamente ao Espanholismo, e se fez português de coração. Hoje já se estuda em Portugal, e se fala só português excepto nas colónias de Amareleja e Barrancos.

Os costumes domésticos é que ainda conservam muito de andaluzes: e há ainda uma espécie de aristocracia vinda do Almendro: Garcia, Perez, Pulido, Vasques, Blanco etc. não se olham como iguais embora hoje andem já tão cruzados, que se não podem a si mesmo distinguir o que prova que os pequeninos sentimentos de unidade são os mais tenazes. Um detalhe: Junto do Almendro havia uma pequena povoação separada por um riacho emigraram também os seus habitantes mas foram sempre considerados em menos, e tanto que todos queriam ser do Almendro, só nas cartas dizia: os B esses são dos Castillejos. Já há uns meses esteve em minha casa um rapaz do Algarve que me disse que os seus eram de Castillejos.

Nas suas linhas gerais os do Almendro eram gente intensamente trabalhadora asperamente económica, e possuindo no mais alto grau as qualidades da família e isso explica a razão da sua sorte em Portugal. Atrás do trabalho veio a riqueza e a consideração social, e começaram as alianças com famílias portuguesas, apesar da tenaz vontade de se conservarem separadas.

O ar de Portugal é porém deletério para estes estrangeiros. À fagocitose nacional nem os próprios ingleses resistem, e muito menos o espanhol que é talvez um dos povos que transplantados se desnacionalizam mais depressa. Pode-se por isso já prever que depressa virá o tempo em que os do Almendro perderão ali o conhecimento da sua própria história; tanto mais que sobre ela estas são as primeiras lendas que se escrevem.

Dedico-as enternecidamente aos pequenos heroísmos anónimos dos nossos maiores, à sua nunca desmentida honestidade (não há memória de uma condenação criminal), à sua laboriosidade, ao seu espírito de sacrifício, à sua solidariedade, a todas as virtudes modestas mas fortes que possuíam e que formam a maior riqueza moral dos povos.” (João Semana, pseudônimo de Fernando Garcia)

Outros trechos do livro, estes de Trastagano, assim falam sobre o Almendro:

“Primitivamente foi lugar (Aldeia) pertencente ao condado de Hiebla e reino de Sevilha e actualmente é vila situada na província de Huelva.”

“A vila foi invadida pelas tropas francesas a 9 de julho de 1810. Estas invasões repetiram-se por diferentes vezes durante os anos de 1811 e 1812.

Neste último o General Espanhol D. Francisco Ballesteros, à frente de 4000 homens, tentou fazer frente às tropas francesas em número de 9.000 homens e comandados pelo Marechal Mortier. Os Espanhóis foram totalmente derrotados, assenhoreando-se os franceses por completo da vila onde exerceram toda a espécie de represálias e barbaridades.”

“As consequências desta emigração foram desastrosas para a vila pois que de mil e quatrocentos habitantes que dantes tinha ficou reduzida a seiscentos e trinta habitantes tendo emigrado definitivamente ‘ciento e noventa vecinos (famílias) que constituian’ la parte de poblacion mas rica, quedando esta Vila despoblada y em la mayor ruína.”

“Há ainda uma última inexactidão no artigo de João Semana é quando se refere aos Castillejos. Não é uma pequena povoação; pelo contrário é mais importante que o Almendro sendo o seu nome completo Vila Nueva de los Castillejos.

A animosidade entre as duas povoações é um facto que se filia na fundação do Almendro (mudança) para o lugar onde actualmente existe como referimos no princípio, e supremacia que os do Almendro mantinham sobre os dos Castillejos creio que também justifica porque sempre ouvi dizer que eram os próprios emigrantes desta última povoação que se reconheciam inferiores aos da primeira.

Hoje essa má vontade já quase que não existe ‘in loco’. A reorganização da confraria de Nossa Senhora de Pedras Alvas conseguiu reunir e congregar gregos e troianos.”

Numa Nota do Capítulo 5, João Semana afirma:

“Com orgulho podemos dizer todos os descendentes do Almendro: que somos filhos de muito boa gente.”

Ao final dos artigos juntados nesse livro, num estudo da árvore genealógica ali anexado, me deparei com um descendente de nome Gaspar Gomez Ponze Hidalgo. Teria ele alguma relação de parentesco com Maria Lorena Ponce Hidalgo, mãe de Diego José Rodrigues Ponce ???

O livro cita ainda a monografia do Almendro, qualificando-a como interessantíssima e bastante completa, escrita pelo P. Emiliano Rodrigues, que descreve o Almendro desde a sua origem, onde consta uma relação minuciosa de todos os habitantes que ali ficaram depois das repetidas invasões das tropas napoleónicas, com as suas profissões, moradas e haveres, o que só fez aumentar meu interesse por referida monografia.

Agradeço à Biblioteca Nacional de Portugal, em especial ao Serviço de Informação Bibliográfica (infobib@bn.pt) e à Área de Reproduções (reproduções@bnportugal.pt) por me proporcionarem mais esta realização.

Para surpresa minha, uma feliz surpresa, recebi em 20/07/2013 um comentário neste post de ninguém mais, ninguém menos, que  António Pulido Garcia: “Curioso trabalho. Não quis deixar de me identificar para posterior contacto”. Aguardarei ansiosa por este contato.

E esse contato veio em 29/07/2013, quando recebi um e-mail de Antônio Pulido Garcia:  “Achei o seu trabalho de pesquisa interessante! Os portugueses são muito mais espanhóis do que imaginam. Obrigado por me contactar. Sou novo no uso das novas tecnologias, não tive outro remédio ! Agora já podemos trocar informações.”

Outra boa surpresa foi receber em 23/10/2013 o comentário de António Manuel Capa Horta Correia: “Conhece o meu trabalho ‘Sebastian Ramírez (1828-1900) – Subsídio documental para uma biografia” ? Era natural de El Almendro e emigrou para Vila Real de Santo Antônio (Algarve) onde começou sendo comerciante e fez uma enorme fortuna …”

Corri para a internet e encontrei na Livraria Guarda-Mor uma sinopse do livro: “Em resultado das pesquisas que nestes últimos anos tenho efetuado nos arquivos portugueses, fui juntando alguns documentos relacionados com a família de minha mulher, nomeadamente os que diziam respeito a atividade do bisavô Sebastian Ramirez, em Vila Real de Santo Antônio. Tive acesso a documentação que esteve em poder de meus sogros, muito esclarecedora da sua atividade em Espanha. Por outro lado, fui-me apercebendo de que a vida de Sebastian Ramirez é muito pouco conhecida, quer pelos estudiosos da história da nossa cidade, em que Sebastian Ramirez, como pioneiro do desenvolvimento iniciado na segunda metade do século XIX, deveria ter lugar assegurado, bem como na própria família, dando este vazio lugar a invenção de situações totalmente diferentes das que agora tenho conhecimento. Recebi de alguns familiares incentivo para a realização deste trabalho, para serem capazes de satisfazer, com honestidade, a curiosidade das novas gerações. Pensando neles, principalmente nos meus filhos e netos, resolvi-me a escrever o que conheço de Sebastian Ramirez, consciente das minhas limitações, que são grandes especialmente no campo das letras. Escreveu o Poeta: ‘Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, nada há mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.’ Desde já esclareço que não pretendo fazer uma biografia de Sebastian Ramirez. Não tenho arte para tal, nem disponho de outras fontes senão a documental, que, infelizmente, revelou, na grande maioria, apenas os aspectos patrimoniais da sua vida. Como indico no título, apenas pretendo com este subsídio documental, dar a possibilidade de se ficar a conhecer, um pouco melhor, a vida de Sebastian Ramirez. Procurei, assim, respeitar ao máximo ‘os meus dias’, sem entrar no campo da imaginação ou do especulativo. Se alguma conclusão tirar, então, é porque ela é óbvia em demasia.”

Não conhecia o trabalho do Sr. Antônio Horta Correia, mas tive a oportunidade de conhecer, porque gentil senhor me presenteou com um exemplar de seu livro, publicado pela Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, cujo Vice-Presidente, José Carlos Barros, na apresentação, assim escreve sobre a importância da publicação: “… nesse imperativo de não permitirmos que a poeira dos anos vá cobrindo tudo: nomes de pessoas e paredes de fábricas derruídas, factos, documentos dispersos, memórias do tempo.”

Um dos capítulos do livro traz por título ‘El Almendro’ e dele reproduzo os trechos abaixo:

“Esta vila foi criada pelo Duque de Medina-Sidónia, também Conde de Niebla, a 21 de Março de 1519, quando ordenou aos habitantes da antiga povoação de Osma para, no prazo de um ano, se transladarem ao lugar da Fuente del Almendro.”

“Existia então grande tensão entre os vizinhos Condado de Niebla e Marquesado de Gibraleon, que disputavam o controle da fronteira e do comércio com Portugal. Quando o Marquês de Gibraleon fez o repovoamento da aldeia de Castillejos, que estava quase encravada no condado de Niebla, o Duque de Medina-Sidónia e Conde de Niebla, em resposta, contra-ataca estrategicamente com o translado de Osma para o limite do seu território mais próximo de Castillejos, embora evocando para a mudança razões de salubridade.

Foram difíceis para os habitantes de El Almendro os tempos que se seguiram.

No período de 1640 a 1668, durante a guerra da Restauração, eram frequentes as investidas de tropas portuguesas naquela região. Saqueavam gados e demais haveres, queimavam habitações, provocando grande pânico na população. Também durante a Guerra da Sucessão espanhola, de 1702 a 1714, as invasões portuguesas, devastaram as povoações do Andévalo Ocidental.

Mas o pior aconteceu com as invasões de Napoleão Bonaparte, entre 1808 e 1814. El Almendro e Villanueva de los Castilleojos, converteram-se em quartel-general e teatro de operações das tropas que actuavam na fronteira com Portugal, com grande sofrimento dos habitantes que tinham de alojar e manter os exércitos, e sem os rendimentos dos bens comuns, os próprios, sua principal fonte de receitas.

Foi grande o êxodo dos seus habitantes e da vizinha Villanueva, para diversas localidades portuguesas do Algarve e do Alentejo.

Diz o Padre Emiliano Rodriguez, no seu livro Monografia de El Almendro: ‘… entonces fué quando se desmembró esta poblacion emigrando quase todo el vecindário a otros pueblos donde no se dejaba sentir al azote de la guerra y muy especialmente al vecino Reino de Portugal em donde los mas acaudalados abandonando para siempre sus moradas se establecieron y fijaram defenitivamente su residência.”

Alguns sobrenomes de membros da família, também nascidos em El Almendro, citados por António Horta Correia, sugerem a possibilidade de guardar relação de parentesco, como Garcia, Ponce, Rodriguez, Blanco: Maria de los Dolores Garcia y Martin; José Garcia Correa; Catalina Martin Ponce; Jose Garcia; Ana Correa Rodriguez; Marcos Morano Blanco; Maria Ponce Blanco. Quem sabe ???

De acordo com informações de Marianna, seu pai trabalhou para o Coronel Antônio Benigno Ribeiro, em Nilópolis, onde também moraram.

Nilópolis foi uma fazenda, Fazenda São Mateus, de propriedade de João Álvares Mirandela, o maior comerciante de burros para puxar bondes, charretes, tílburis (carros de dois assentos, sem capota, de duas rodas, puxados por um só cavalo), para recolher lixo … Em 1866, esta fazenda veio a pertencer ao Barão de Mesquita, por arrendamento, depois voltando às mãos de Mirandela. Loteada depois de 1913, Loteamento São Mateus, 10 lotes foram comprados pelo Coronel Júlio de Abreu, que inaugurou sua casa em 06/09/1914, tornando-se esta a data da fundação da cidade de São Mateus, que depois passou de 4º Distrito de São João de Meriti para 7º Distrito de Nova Iguaçu, depois Sede do Distrito e em 21/08/1947 município de São Mateus e depois Nilópolis.

Em 1918 a febre espanhola matou muita gente na região.

Os judeus começaram a chegar na cidade na década de 20, fugindo da crise econômica na Europa.

Nos anos 30 vieram em maior número, ameaçados pelo nazismo. Cerca de 300 famílias preferiram comprar em Nilópolis lotes de terrenos baratos a pagar aluguel no Rio de Janeiro. Muitos abriram comércios.

Curiosidades:

Na Capela São Matheus, construída em 1637, é possível ver tijolos feitos nos séculos XVII e XVIII com adobo (tijolo seco ao sol e que era empregado cru): barro vermelho, esqueleto e óleo de baleia, baleias estas que encalhavam nos rios Sarapuí e Pavuna.

Em 1855 existia um cemitério ao redor da Capela, que foi remanejado por ocasião de obras de expansão, tendo sido os ossos encontrados transferidos para um mausoléu (sepulcro).

Visite El Almendro em:

http://nossosroteiros.com.br/blog/nosso-roteiro-em-huelvael-almendro-espanha-2008/

Vida que segue … 

10 thoughts on “DESCENDÊNCIA ESPANHOLA & PORTUGUESA

  • António Pulido Garcia disse:

    Curioso trabalho. Não quis deixar de me identificar para posterior contacto.

  • António Horta Correia disse:

    Conhece o meu trabalho “Sebastian Ramirez(1828-1900) -Subsidio documental para uma biografia” ? Era natural de El Almendro e emigrou para Vila Real de Santo António(Algarve) onde começou sendo comerciante e fez uma enorme fortuna…

  • Aline Ponce disse:

    Olá, sou neta de Francisco Moreira Ponce e gostei muito da sua pesquisa. Gostaria de saber qual seu grau de parentesco com a família Ponce.

    Abraço, Aline

  • Jose Antonio Fialho da Silva e Sousa disse:

    Muito interessante o seu estudo. Pertenço ao ramo dos Fialhos de Barrancos (Portugal) e muitos dos nomes que refere são conhecidos da nossas histórias familiares. Sou amigo da familia Cardoso de Menezes (Conde de Margaride) e tentarei saber mais informações sobre a obra que refere. Um abraço português

  • Luiz Carlos Alves Ponce disse:

    Pesquisando pelo nome DIOGO RODRIGUES PONCE, achei a sua, que digo está espetacular.
    Está faltando a do meu pai e tios, filhos de Diogo Moreira Ponce e Maria Luiza Trepin Ponce (Meus avos)
    Diogo Moreira Ponce Junior  Meu pai.
    Mauricio Moreira Ponce  Tio
    Manoel Trepin Ponce  Tio
    Gesus Moreira ( Ponce Já falecido) .
    Izis Moreira Ponce  Tia. (Nome de solteira)
    Todos nascidos no Rio de Janeiro.
    Parabéns pela fabulosa pesquisa.
    Grande abraço.
    Luiz Carlos Alves Ponce

    • sgrumbach disse:

      Luiz Carlos, boa noite !
      Quando tiver oportunidade de retornar ao site,
      verá que já acrescentei os nomes que me passou.
      Por favor, verifique se ficaram corretos e, se tiver mais alguma informação,
      será uma satisfação recebê-las e colocá-las no site,
      ficando assim registrada toda a família.

      Obrigado, Silva Grumbach

  • Antonio Horta Correia disse:

    Publiquei há meses um artigo sobre os originários do Almendro no jornal digital “Cadernos Barão de Arede” no 2º caderno.Pode aceder livremente por http://www.arede.eu
    Para mais esclarecimentos pode contactar-me

  • Maria Ramirez disse:

    Sebastian Ramirez é meu tataravô. Vou pesquisar esses trabalhos. Obrigado pela partilha.

  • Maria Adília Carlos Mestre disse:

    Olá! Sou bisneta de Antonio Pulido Rodriguez que também se refugiou em Portugal, é um trabalho muito interessante, fica aqui a minha identificação para posterior contacto

  • Antonio Horta Correia disse:

    Os interessados na historia de El Almendro e Villanueva de los Castillejos ,Espanha,podem abrir o site – cadernos barato de arede , no 2º volume tenho um trabalho que intitulei : “Os do Almendro”, que trata das causas da emigração dos seus habitantes.

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