Dicas de Viagem de Silvia Grumbach

VIAJAR É ANTES DE TUDO UM ESTADO DE ESPÍRITO. GOSTAMOS DE NOS SENTIR LIVRES PARA ESCOLHER NOSSOS DESTINOS, FAZER NOSSOS PRÓPRIOS ROTEIROS, GASTAR MAIS OU MENOS TEMPO DE ACORDO COM NOSSA VONTADE E NOSSO SENTIMENTO EM CADA LUGAR VISITADO. AFINAL ESTAMOS SEMPRE DIANTE DE UMA INFINIDADE DE POSSIBILIDADES. SUGIRO QUE COMECE LENDO "O PORQUE DOS ROTEIROS ???" Clique sobre as ilustrações para vê-las ampliadas e, por favor, se as copiar, não deixe de citar a fonte. AO INTRODUZIR OS RESULTADOS DE MINHA PESQUISA DE NOSSA GENEALOGIA, PROSSEGUI NUMA VIAGEM, ESTA DE VOLTA AO PASSADO, REVISITANDO HISTÓRIAS DE VIDA E SEUS PERSONAGENS, NOSSOS ANTEPASSADOS … VIVOS EM NOSSAS LEMBRANÇAS

NOSSO ROTEIRO NA PATAGÔNIA ARGENTINA – USHUAIA 2015

NOSSO ROTEIRO NA PATAGÔNIA ARGENTINA – USHUAIA 2015

> 12/11/2015 – 5ª feira

O hotel Eolo Patagonia’s Spirit nos transportou para o Aeroporto Internacional de El Calafate (FTE), onde embarcamos no vôo AR 1690, às 12:10 horas, chegando às 13:22 horas ao Aeroporto Internacional Islas Malvinas Ushuaia (USH), à 869 km.

O aeroporto está a cerca de 4 km do centro da cidade, tomamos um taxi até a Hosteria y Restaurante America***, Gobernador Felix Paz, 1665 – www.hosteriaamerica.com.ar A equipe é toda muito agradável e solícita. A localização é excelente, paralela à rua principal O hotel estava sendo modernizado. Tem um bom bar/restaurante, o que é um facilitador.

Sofia foi responsável pela nossa recepção e nos indicou o Restaurante El Turco, na avenida principal, paralela à do nosso hotel, na General San Martin, 1410, onde a pedida recomendada foi o bife a milanesa.

Passamos a tarde passeando pela avenida principal e encerramos o dia jantando no delicioso no Bodegón Fueguino, Avenida General Don Jose Francisco de San Martin, 859. ]

> 13/11/2015 – 6ª feira 

Um carro da Gray Line nos buscou no hotel para nos levar ao Muelle Turistico, onde embarcamos no Catamarã Ana B para, navegando pelo Canal de Beagle, chegar ás ilhas dos pássaros e dos leões marinhos. No final do passeio, o barco para ao lado do Farol do Fim do Mundo, último vestígio de civilização na América do Sul. Daí em diante, só mar e os icebergs aparecem por quase 5 mil km até chegar à Antártica.

Um pouquinho de história: Ushuaia, considerada Lugar del Fin del Mundo, por ser o ponto de presença humana mais austral antes da Antártica; a 3,2 mil km de Buenos Aires, é a capital da província da Terra do Fogo, com suas paisagens diferentes do tipo de natureza com a qual estamos acostumados.

Espremida entre as montanhas da Cordilheira dos Andes e o Canal de Beagle, famoso braço de mar que liga os Oceanos Atlântico e Pacífico, e que ganhou o mesmo nome da embarcação que por ali navegou em 1830 levando a bordo o famoso naturalista Charles Darwin. Segundo relatos da viagem, os tripulantes ficaram intrigados ao avistar pontos de fogo no litoral das ilhas. Eram imensas fogueiras acesas pelos aborígenes que habitavam a costa austral argentina para se aquecer e/ou avisar que algo incomum passava por ali. A partir daí, os europeus passaram a se referir à região por Terra do Fogo.

“El barco HMS Beagle, sob o comando del Capitán Fitz Roy, foi enviado a estudiar los mares del sur. El Beagle ancló en una supuesta bahia que resultó ser un magnífico canal que hoy lleva su nombre. Allí navegaban también los indígenas yaganes, hábiles remeros de los canales fueguinos.”

Bahia de Ushuaia en el idioma de los nativos yaganes significa ‘puerto interior, bahia el poniente’. Na Ilha dos Pássaros, os cormorões das rochas e reais, que mergulham a uma profundidade de 50 m em 40 segundos.

Leões-marinhos podem ser vistos em todas as épocas do ano. A temporada de pinguins vai de setembro a abril. As baleias visitam a região entre junho e novembro e as orcas entre outubro e novembro e entre janeiro e março.

Navegando pelo Canal de Beagle, de um lado a Argentina e do outro o Chile, um verdadeiro divisor de terras.

No retorno as águas encresparam de um momento para o outro em razão dos ventos, predominando os de Sudoeste.

Navegar pelo Beagle pode ser considerado um passeio histórico também, levando-se em conta que as paisagens são quase as mesmas que os primeiros exploradores da Terra do Fogo viram ao chegar nestes confins do planeta.

Após o desembarque, atravessando a Avenida Maipú, em direção às Informações Turísticas, onde carimbamos nossos passaportes com a marca ‘Fin del Mundo’.

Rodeada pelas cadeias montanhosas del Martial, em Ushuaia, tal qual em Santiago do Chile, vivemos a permanente sensação de estarmos caminhando dentro de um cartão postal.

Almoçamos na própria Avenida Maipu, 227/229, no Restaurant El Viejo Marino, saboreando a ‘centolla a la parmesana’. A centolla é um tipo de caranguejo, 20 vezes maior do que o que conhecemos e cujo gosto lembra o da lagosta, prato típico da Patagônia, acompanhado de uma cerveja artesanal.

O dono, Sr. Jorge, contou-nos que ele próprio participa da pesca, próximo ao farol, onde a profundidade é de cerca de 80 m. O período de pesca da centolla é de julho a fevereiro. Pela Rua Roca acessamos a Avenida San Martin e seguimos até a Igreja Nuestra Sra. de La Merced, no nº 936.

“Madre de los pobres y de los que sufren persecución o esclavitud por la fe. Te pedimos nos sostengas en las dificultades, fortalezcas nuestra debilidad, nos des la paz, y un corazón generoso para perdonar y trabajar en la construcción de un mundo mejor. Amén.”

Na saída da igreja tivemos que pegar um taxi até os museus, porque chovia muito. Eu desci para visitar os museus e José Roberto, Eduardo e Cristina seguiram para o hotel para descansar.

Os Museus Marítimo, del Presídio, Antártico y de Arte contam um capítulo mais recente da história da cidade, que vai de 1911 a 1947, quando Ushuaia abrigou um presídio militar.

Por conta do isolamento, o governo argentino acreditava que o lugar era perfeito para instalar uma prisão de segurança máxima.

Visitei o Museu Marítimo e o Museu do Presídio, passando pelo hall central. Subi e visitei o Museu Antártico, o de Arte estava cerrado.

A visita tem início no Museu Marítimo, que em quatro salas, através de maquetes dos modelos de embarcações, todas na mesma escala e construídas pelo mesmo modelista naval, seguindo a cronologia, mostra o desenvolvimento da construção naval nos últimos 5 séculos. Um show !!!

A história da Tierra del Fuego sempre esteve ligada ao mar. Apenas em 1948, começaram os primeiros vôos comerciais. Até esse momento a única união com o continente era a marítima.

Em 1520, Hernándo de Magallanes navegou na Carraca Trinidad o estreito que leva seu nome, tendo sido o primeiro europeu a avistar as terras que denominou ‘Tierra de los Fuegos’, ainda que já se presumisse sua existência desde uns quantos anos antes, indicando a possível união dos oceanos Pacífico e Atlântico.

Durante os seguintes 100 anos, navegantes passaram pelo estreito e todos tiveram que suportar fortes tormentas e brigas com os nativos do lugar.

Nos dois séculos seguintes, Tierra del Fuego foi visitada muito esporadicamente, com os navegantes tentando não ancorar na região por causa do clima rude e de seus habitantes, considerados canibais.

As expedições acrescentavam tenebrosidade à navegação austral, com terríveis relatos de tormentas, frio glacial e encontros com os nativos. Em 1884, a frota da Corveta Cañonera Parana funda oficialmente a localidade de Ushuaia e na Isla de los Estados instala uma subcapitania dos portos, um farol, o do Fim do Mundo, uma guarnição militar e o primeiro presídio.

O navio A.R.A. 1ero de Mayo levou para Tierra del Fuego os primeiros presos em 1896. Nesse navio seguiam ainda os correios, os jornais, provimentos.

O Bric Barca Beagle protagonizou duas expedições inglesas que foram as que pela primeira vez estudaram a fundo a região. Os capitães foram William Parker King (1829) e Robert Fitz Roy (1831). Entre as descobertas mais importantes esteve a do Canal de Beagle. O naturalista Darwin foi o encarregado, entre outras coisas, de descrever os primitivos habitantes do lugar. Também realizaram a tentativa de deixar um missionário na região, que, contudo, em razão da agressividade dos índios continuou viagem com a expedição.

Em 1843, o Chile toma posse do Estreito de Magalhães fundando o Fuerte Bulnes.

Os navios Cuter Garibaldi, Goleta Negra, Cuter Tomasito e Goleta Blanca eram utilizados para unir Ushuaia com Punta Arenas e com as diferentes fazendas do Canal de Beagle e Isla Navarino. ]

Transportavam medicamentos, gado em pé, passageiros, trabalhadores e garimpeiros. Neles também se saía para pescar ou caçar lobos marinhos. Foram os verdadeiros pioneiros do desenvolvimento da região.

Já o navio Lela, construído em 1929, trabalhou durante muitos anos no traslado de ovelhas da Isla Gable.

Ushuaia é a cidade mais próxima da Antártida e assim ligada à atividade polar, tanto científica como turística.

A visita continuou no Museo del Presidio. Na verdade, foram construídos 5 pavilhões de 76 celas cada um deles, num total de 380 celas individuais, mas o cárcere chegou a alojar mais de 600 presos.

Os pavilhões chegavam ao hall central ou rotunda múltipla, utilizado para todo tipo de evento.

O pavilhão 1 é o Histórico, primeiro a ser construído e mantido nas condições originais. Nas celas do pavilhão 4, a história contada capítulo a capítulo.

O regime aplicado estava baseado no trabalho retribuído, no ensino de nível fundamental e na severa disciplina.

Nesse plano, ainda, a Galeria de Arte e no segundo piso o Museu Antártico, distribuído em 17 salas que falam das expedições a Antártida, que há milhões de anos, formava parte de um grande continente: Pangea, que se desmembrou e derivou em diferentes direções.

Ernest Shackleton foi um dos mais importantes exploradores polares da chamada ‘Época Heróica‘. Participou da primeira expedição do Robert F. Scott de 1903, logo tentou chegar ao Polo Sul, em 1907.

O presídio ficou famoso pelo rigor na disciplina e por nunca ter registrado nenhuma fuga. A tarefa diária dos prisioneiros era buscar lenha nos bosques próximos à cidade para alimentar os fornos e caldeiras do sistema de aquecimento da prisão.

Para carregar a madeira, contavam com uma pequena maria fumaça, que passava pelos bosques de ciprestes, em uma área que hoje faz parte de um parque nacional – El Tren del Fin del Mundo ou Trem dos Presos, como também era chamado.

Após a visita, retornei ao hotel, seguindo pela Avenida San Martín, subindo ao seu final a escadaria que me levaria ao Paseo del Centenario, em frente ao hotel em que estávamos hospedados.

Terminamos nosso dia jantando no restaurante do próprio hotel, ambiente agradável e boa comida. 

> 14/11/2015 – sábado

Um ônibus da Gray Line veio nos buscar no hotel para nos levar ao Parque Nacional Terra do Fogo, incluindo uma viagem no Trem do Fim do Mundo.

O Parque Nacional Terra del Fuego, à 12 km da cidade de Ushuaia, foi criado em 1960 para proteger os restos arqueológicos yámanas, com extensão de 63 mil hectares, abrangendo o extremo meridional da Cordilheira dos Andes, o Lago Fagnano e o bosque sub-antártico até a costa do Canal Beagle, integrando paisagens de mar, bosque e montanha, síntese biológica da Ilha da Terra do Fogo.

O parque também pode ser visitado em excursões guiadas. Há diversas trilhas para o visitante caminhar, desde recursos fáceis à beira dos lagos a outros bem mais radicais, que levam às montanhas. Está dividido em três áreas: > uma Reserva Natural Estrita, de acesso proibido; > uma Reserva Natural Silvestre, de acesso restringido e > uma Área Recreativa, região aberta a visitação.

A excursão começa pela estrada nacional nº 3, percorrendo o Vale do Rio Pipo e o Monte Susana, onde se encontra a estação do Trem do Fim do Mundo.

O trem, uma réplica, inicia a viagem a partir da Estação Ferrocarril Austral Fueguino, mais conhecida como Estação do Fim do Mundo, onde fotografias ilustram sua história.

O trem percorre os últimos 7 km do caminho original de 25 km que realizava o Trem dos Presos há quase cem anos, em 1h45m, a uma velocidade que não supera os 15 km/hora. Atravessa o Cânion del Toro e o Rio Pipo sob a Puente Quemado, onde estão os restos de madeira da ponte velha sob a nova via.

Na Estação Cascata La Macarena, o trem faz uma parada para que do mirante se possa apreciar a vista do Vale do Rio Pipo e a nascente da Cascata La Macarena, da cadeia montanhosa Le Martial, além de uma reconstrução de um típico assentamento dos yámanas, um dos povos originários que habitaram estas terras. 

Margeando o Rio Pipo, é possível encontrar marcas da rotina diária dos presos, mesmo depois de quase meio século de cortar árvores dos bosques para abastecer a cidade de lenha.

Continuamos a visita ao Parque Nacional Terra do Fogo no ônibus, passando pelo Lago Acicami e fazendo uma parada no Centro de Visitantes Alakush.

Na sequência, os pontos avistados foram o Cerro Condor, o Rio Lapatia, a Laguna Verde, o Rio Ovando e uma nova parada, numa Castorera, ou seja, uma toca de castores. Os castores são mamíferos anfíbios capazes de ficar embaixo d’água de 15 a 20 minutos. Esta foi uma espécie introduzida pelo homem, há várias décadas, com fins econômicos, entre outras espécies, que se tornaram silvestres num meio que não estava preparado para suportá-las e por esta razão algumas causaram impactos sérios na paisagem natural, como foi o caso dos castores. Por fim, avistamos a Bahia Lapataia.

Retornando à cidade, na Avenida San Martín, 152, visitamos a Galeria Temática Historia Fueguina, com audioguide, passeando pela história dos povos originários da região e dos pioneiros. Mais de 30 cenários e 90 personagens em tamanho natural ajudam a contar a história da Terra do Fogo. www.historiafueguina.com

Ainda na Avenida San Martin, no nº 130, vale uma visita ao jardim nos fundos da loja La Ultima Bita.

Mais uma vez terminamos o dia jantando no restaurante do hotel.

E QUEM DISSE QUE NÃO HÁ O QUE FAZER NO FIM DO MUNDO ? 

> 15/11/2015 – domingo

Após o café da manhã, um taxi nos levou ao Aeroporto Internacional Islas Malvinas Ushuaia (USH).

Vôo AR 1853, 14:05 horas, chegando às 17:30 horas ao Aeroporto Ministro Pistarini Ezeiza (EZE), em Buenos Aires.

Vôo AR 1254, embarcando às 21:50 horas, chegando à 1:50 hora do dia 16/11/2015 ao Aeroporto Internacional Galeão Antonio Carlos Jobim (GIG).

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